Política · Justiça

Sem mandato, Flávio Bolsonaro vê cerco jurídico se fechar no STF

Após derrota nas urnas, senador perde proteção política e enfrenta inquéritos complexos no Supremo Tribunal Federal sobre finanças e calúnia.

Foto: Flávio Bolsonaro Crédito: Charles Vieira · Original e licença

A derrota de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na disputa presidencial de 2026 marca o fim de um ciclo de duas décadas de mandatos eletivos e coloca o parlamentar em uma posição jurídica delicada. Com o encerramento de sua cadeira no Senado previsto para fevereiro de 2027, o político deixa de contar com a blindagem que o cargo oferecia, permitindo que investigações criminais em curso no Supremo Tribunal Federal (STF) ganhem novo fôlego.

Embora o fim do mandato parlamentar costume alterar a competência de processos, o cenário atual é distinto. Graças a uma mudança de entendimento consolidada pela Corte em 2025, o STF mantém a prerrogativa de julgar crimes cometidos no exercício da função e em razão dela, mesmo após o afastamento do cargo. A continuidade dos inquéritos dependerá, portanto, da análise sobre o vínculo entre as condutas investigadas e a atividade parlamentar de Flávio.

Entre as frentes de investigação que avançam contra o senador, destacam-se:

O inquérito sobre o financiamento do filme 'Dark Horse', que narra a trajetória de Jair Bolsonaro. A Polícia Federal apura o uso de R$ 134 milhões, supostamente articulados pelo senador junto ao Banco Master.

A apuração sobre lavagem de dinheiro envolvendo plataformas de apostas e o advogado Willer Tomaz. O ministro Alexandre de Moraes determinou recentemente o bloqueio de até R$ 6 bilhões em bens ligados ao advogado, que deixou o país em agosto.

O procedimento que investiga uma suposta calúnia contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, motivada por uma postagem feita pelo senador em janeiro de 2026.

A defesa de Flávio Bolsonaro nega sistematicamente qualquer irregularidade, sustentando que as movimentações financeiras possuem origem privada e que as relações com o advogado Willer Tomaz são estritamente de amizade. Enquanto isso, a Polícia Federal segue com as diligências, incluindo perícias contábeis e pedidos de cooperação internacional para esclarecer a origem dos recursos sob suspeita.

Em resumo

  • Flávio Bolsonaro encerra 20 anos de vida pública em fevereiro de 2027 após derrota eleitoral.
  • O STF mantém competência para investigar crimes ligados ao exercício do mandato, mesmo após o fim do cargo.
  • Três inquéritos principais no Supremo, envolvendo financiamento cinematográfico, apostas e calúnia, seguem sob análise da Corte.
  • A Polícia Federal aprofunda apurações sobre lavagem de dinheiro e movimentações financeiras atípicas.

Fonte: Brasil 247

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