Planalto aposta no pragmatismo para lidar com silêncio de Trump após vitória de Lula
O governo brasileiro projeta uma relação diplomática baseada em interesses concretos com os EUA, mantendo autonomia estratégica e alianças com o BRICS.

Foto: Lula e Donald Trump Crédito: Ricardo Stuckert/PR I Divulgação · Original e licença
A vitória de Luiz Inácio Lula da Silva nas urnas gerou uma onda imediata de reconhecimento internacional, mas o Palácio do Planalto observa com atenção o silêncio da Casa Branca. Até o momento, o governo de Donald Trump ainda não estabeleceu contato oficial com o presidente eleito, uma postura que auxiliares de Lula interpretam como um reflexo do desgaste da ala bolsonarista nos Estados Unidos.
Enquanto o Executivo norte-americano mantém distância, parlamentares democratas e prefeitos dos EUA já enviaram felicitações a Brasília. A avaliação interna no Planalto é de que o resultado das eleições brasileiras representa uma derrota para o Departamento de Estado norte-americano, mas a expectativa é de que o cenário político mude com as eleições de meio de mandato (midterms), que podem alterar a correlação de forças no Congresso dos EUA.
Para o quarto mandato de Lula, a estratégia diplomática será pautada pelo pragmatismo. O governo brasileiro pretende separar as divergências ideológicas dos interesses comerciais e estratégicos, buscando diálogo com setores da administração Trump que possuem maior abertura, como o Escritório do Representante Comercial (USTR) e o Departamento de Energia.
Apesar da disposição para negociar, o governo brasileiro impôs limites claros para a nova fase da relação bilateral:
O Brasil não abrirá mão de suas alianças estratégicas com o BRICS e a Europa para atender a exigências de Washington.
O país descarta formalmente a adesão ao programa Escudo das Américas.
A regulação das grandes empresas de tecnologia seguirá um caráter universal, sem ser direcionada especificamente contra interesses norte-americanos.
O governo brasileiro manterá sua autonomia na política externa, focando em temas como a transição climática e a cooperação econômica, sem se subordinar a pressões externas.
Em resumo
- O governo Lula busca uma relação pragmática com os EUA, focada em interesses comerciais e estratégicos.
- A Casa Branca ainda não reconheceu a vitória de Lula, apesar de felicitações de outros setores políticos dos EUA.
- O Brasil reafirma que não alterará suas alianças com o BRICS e a Europa sob pressão externa.
Fonte: Brasil 247

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