Mundo

Ameaças de Milei contra jornalistas levam Anistia Internacional a buscar instâncias globais

Após o presidente argentino sugerir que comunicadores fossem queimados em fogueira, a Anistia Internacional acionou órgãos internacionais para denunciar a escalada de violência contra a imprensa no país.

Foto: O presidente da Argentina, Javier Milei. Foto: Ammar Awad/Reuters · Original e licença

A escalada de hostilidade do governo argentino contra a imprensa atingiu um novo patamar, levando a Anistia Internacional a buscar proteção em organismos globais. A entidade comunicou que levará o caso do presidente Javier Milei para instâncias como o sistema de direitos humanos da Organização das Nações Unidas e a Comissão Interamericana de Direitos Humanos. A decisão ocorre após o mandatário utilizar um discurso público na Fundação Faro para atacar nominalmente cinco profissionais da comunicação, sugerindo que eles deveriam ser submetidos a uma fogueira.

Os jornalistas Hugo Alconada Mon, Carlos Pagni, Paulino Rodrígues, Natalia Volosin e Luis Novaresio foram os alvos diretos do presidente. O estopim para a agressão verbal foi a cobertura realizada por eles sobre a criptomoeda $LIBRA, iniciativa vinculada a Milei em 2025. Além de proferir xingamentos, o chefe do Executivo rotulou os profissionais como mercenários e fabricantes de operações, uma retórica que, segundo a Anistia, ultrapassa o limite da crítica legítima e serve para estigmatizar e colocar em risco a integridade física dos trabalhadores.

Mariela Belski, diretora-executiva da organização na Argentina, destacou que a postura presidencial é particularmente perigosa por vir de quem detém o poder estatal, o que pode legitimar novas investidas contra a imprensa e fomentar a autocensura. O cenário de deterioração da liberdade de expressão é confirmado por números do Fórum de Jornalismo Argentino (FOPEA). O levantamento aponta que, em 2025, o país contabilizou 278 ataques a jornalistas, um salto de 55% em comparação ao ano anterior. Desses episódios, o próprio Milei foi apontado como o responsável direto por 119 casos, consolidando-se como o principal vetor de agressões no país.

A pressão internacional sobre o governo argentino não é recente. Em novembro de 2025, a Comissão Interamericana de Direitos Humanos já havia solicitado esclarecimentos ao Estado sobre a violência contra a imprensa e o assédio judicial. A Anistia reforça que o governo deve cessar imediatamente as campanhas de intimidação e reconhecer o papel fundamental da imprensa na fiscalização democrática do poder. Em resumo: - A Anistia Internacional levará denúncias contra Milei à ONU e à CIDH devido aos ataques verbais contra jornalistas. - O presidente argentino sugeriu que cinco comunicadores fossem queimados em fogueira após críticas à sua gestão. - Dados do FOPEA indicam que Milei foi o autor de 119 dos 278 ataques contra a imprensa registrados em 2025.

Fonte: Diário do Centro do Mundo

COMECE A CONVERSA

O que você acha desta notícia?

Seja o primeiro a compartilhar sua opinião.

Comentários

Próxima notíciaBastidores da vitória: humorista revela papel estratégico na campanha de Lula contra Flávio Bolsonaro