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Entre a fuga e a fantasia: por que a comparação de Flávio Bolsonaro com Guaidó não se sustenta

A saída de Flávio Bolsonaro do Brasil após descumprir ordem judicial gera comparações com o venezuelano Juan Guaidó, mas contextos jurídicos e políticos divergem profundamente.

Foto: O ex-líder da oposição venezuela Juan Guaido. Foto: Gaby Oraa/Reuters · Original e licença

A recente saída do senador Flávio Bolsonaro (PL) do Brasil rumo aos Estados Unidos, ignorando uma determinação judicial que o impedia de deixar o país, despertou entre seus apoiadores uma narrativa que tenta equipará-lo ao político venezuelano Juan Guaidó. No entanto, uma análise dos fatos revela que as trajetórias e as situações jurídicas de ambos possuem abismos intransponíveis.

Enquanto Guaidó, em 2019, foi reconhecido por dezenas de nações como presidente interino da Venezuela em um desafio direto a Nicolás Maduro, Flávio Bolsonaro não detém qualquer reconhecimento internacional como representante de um governo paralelo. O senador, que ainda mantém seu mandato parlamentar, deixou o território nacional sob o peso de investigações por crimes financeiros, incluindo suspeitas de lavagem de dinheiro ligadas ao advogado Willer Tomaz e ao financiamento de um filme sobre seu pai, Jair Bolsonaro.

A situação jurídica de Flávio é marcada pelo descumprimento de uma ordem do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que exigia a entrega de seus passaportes. Com o fim do prazo estipulado pela Polícia Federal na última terça-feira (27), a corporação cancelou os documentos e iniciou apurações sobre como o parlamentar conseguiu evadir-se. Diferente de Guaidó, que buscou refúgio após mandados de prisão emitidos pela justiça venezuelana, não há, até o momento, ordem de prisão contra o senador brasileiro.

Embora o Departamento de Estado dos EUA tenha confirmado a emissão de vistos para Flávio e sua família, a medida não confere ao senador qualquer status de asilado político ou reconhecimento oficial de sua atuação. Enquanto Guaidó atua em instituições acadêmicas em Miami, Flávio segue em uma posição de isolamento político, sem reivindicar formalmente a liderança de qualquer governo, mas enfrentando o cerco das autoridades brasileiras.

Em resumo

  • Flávio Bolsonaro deixou o Brasil descumprindo ordem judicial de entrega de passaportes, que foram cancelados pela PF.
  • Não há mandado de prisão contra o senador, apesar de pedidos de parlamentares do PT.
  • Diferente de Guaidó, que foi reconhecido internacionalmente como presidente interino, Flávio não possui respaldo diplomático para um governo paralelo.
  • O senador é alvo de investigações por lavagem de dinheiro e financiamento irregular de produção cinematográfica.

Fonte: Diário do Centro do Mundo

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