Política · Justiça

Alcolumbre articula indulto a Bolsonaro em troca de apoio para manter comando do Senado

Presidente do Senado busca viabilizar reeleição em 2027 negociando perdão a Jair Bolsonaro e freio em pedidos de impeachment contra ministros do STF.

Foto: Davi Alcolumbre e Jair Bolsonaro. Foto: reprodução · Original e licença

Em uma manobra para garantir sua permanência na presidência do Senado em 2027, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) tem articulado nos bastidores a possibilidade de um indulto ou anistia ao ex-presidente Jair Bolsonaro. Preso desde agosto de 2025 por envolvimento em uma tentativa de golpe de Estado, Bolsonaro tornou-se a peça central de uma negociação que visa atrair o apoio da direita parlamentar.

Segundo aliados, o plano de Alcolumbre envolve levar ao presidente Lula a proposta de um indulto humanitário, sob o argumento de promover uma suposta pacificação entre os Poderes. Embora o tema não tenha sido abordado no encontro entre os dois nesta segunda-feira (26), o senador pretende aguardar a estabilização do cenário político para formalizar o pedido, que depende exclusivamente de decisão do Executivo. Caso o governo rejeite a via do indulto, a estratégia alternativa seria impulsionar uma proposta de anistia via Congresso.

A movimentação de Alcolumbre tem um objetivo claro: desmobilizar a pressão da oposição pelo impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Atualmente, 49 dos 81 senadores da próxima legislatura apoiam o afastamento de magistrados, número que ainda é insuficiente para atingir os 54 votos necessários. Em troca do perdão a Bolsonaro, o presidente do Senado busca o compromisso da direita em abandonar os pedidos de impeachment e focar em uma reforma do Judiciário.

O cenário para a sucessão no Senado é competitivo, com Alcolumbre enfrentando as candidaturas de Rogério Marinho (PL-RN) e Tereza Cristina (PP-MS). O grupo do atual presidente da Casa trabalha com a ideia de restringir os efeitos de uma eventual anistia apenas à esfera penal, mantendo a inelegibilidade de Bolsonaro, que se estende até 2060. A articulação também observa os desdobramentos jurídicos sobre a dosimetria das penas dos envolvidos nos atos de 8 de Janeiro, cuja lei aprovada pelo Congresso segue suspensa por decisão do ministro Alexandre de Moraes.

Em resumo

  • Davi Alcolumbre articula indulto ou anistia para Jair Bolsonaro visando apoio à sua reeleição na presidência do Senado em 2027.
  • A estratégia busca frear a pressão da oposição pelo impeachment de ministros do STF, trocando o apoio por uma pauta de reforma do Judiciário.
  • O plano enfrenta o desafio de obter 54 votos no Senado e a necessidade de aval do Executivo ou aprovação legislativa, mantendo a inelegibilidade do ex-presidente.

Fonte: Diário do Centro do Mundo

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