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Planalto impõe silêncio a ministros sobre saída de Flávio Bolsonaro do país

Governo Lula busca evitar que a ida do senador aos EUA seja usada como munição para narrativas de perseguição política, mantendo o caso sob condução técnica das instituições.

Foto: Lula Crédito: REUTERS/Adriano Machado · Original e licença

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva estabeleceu uma diretriz clara para sua equipe ministerial: o governo deve se abster de comentar de forma recorrente a saída do senador Flávio Bolsonaro do Brasil. A ordem, que circula nos bastidores do Palácio do Planalto, visa impedir que o Executivo forneça combustível para que aliados do parlamentar construam uma narrativa de vitimização ou suposta perseguição política contra o clã Bolsonaro.

A estratégia desenhada pela gestão petista é transferir qualquer desdobramento sobre o tema para a esfera estritamente técnica. A orientação é que apenas a Polícia Federal e o Ministério da Justiça tratem de eventuais investigações, evitando que o protagonismo político de ministros seja explorado pela oposição. A avaliação interna é que o silêncio estratégico é a melhor forma de não dar palco para as justificativas que o entorno do senador tem tentado emplacar.

Embora tenha adotado essa postura de cautela, o próprio presidente Lula não se esquivou de criticar a atitude do adversário. Em declarações feitas na última terça-feira (27), o chefe do Executivo questionou a postura de quem deixa o país logo após o revés nas urnas. Lula sugeriu que a fuga seria um sinal de que o senador teria algo a esconder, rebatendo qualquer tentativa de associar a saída a uma suposta falta de democracia no Brasil.

A preocupação do Planalto com o uso político do caso cresceu após aliados de Flávio Bolsonaro resgatarem falas de Lula durante a campanha. Em debates, o petista havia mencionado que o senador poderia enfrentar problemas com a Justiça após o fim de sua imunidade parlamentar, previsto para fevereiro de 2027. O grupo bolsonarista tem utilizado essas declarações antigas para tentar convencer a opinião pública de que a viagem seria uma medida de precaução contra uma perseguição institucional.

Paralelamente, o governo observa com atenção o racha que a decisão de Flávio provocou dentro do Partido Liberal. A saída do parlamentar ocorreu sem qualquer aviso prévio aos quadros da legenda, pegando de surpresa até mesmo o senador Rogério Marinho, que coordenou a campanha presidencial. O episódio gerou um mal-estar evidente entre lideranças do PL, que esperavam que o senador permanecesse no país para liderar a reorganização da oposição ao novo mandato de Lula.

Em resumo: - Lula ordenou que ministros evitem politizar a saída de Flávio Bolsonaro para não alimentar teses de perseguição. - O governo decidiu centralizar o caso nas mãos da Polícia Federal e do Ministério da Justiça. - A fuga do senador ocorreu sem aviso prévio a aliados, gerando insatisfação interna no Partido Liberal.

Fonte: Brasil 247

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