Aliados de Flávio Bolsonaro reagem à fuga do senador com comparações religiosas e ataques ao STF
Após a derrota eleitoral e a ordem de retenção de passaporte pelo STF, lideranças evangélicas divergem sobre a saída de Flávio Bolsonaro do Brasil, variando entre o apoio incondicional e o distanciamento político.

Foto: O candidato à Presidência derrotado Flávio Bolsonaro (PL) desembarca de um jatinho em Miami nesta quarta (28) após fugir do Brasil - Ricardo Arduengo/AFP · Original e licença
A saída de Flávio Bolsonaro do território nacional, logo após a confirmação da vitória de Lula nas urnas no último domingo, provocou reações distintas entre pastores que compuseram a base de apoio do senador. Enquanto o Judiciário, sob comando do ministro Alexandre de Moraes, determinou a apreensão do passaporte do parlamentar devido ao risco de evasão, aliados próximos tentam moldar a narrativa pública sobre o episódio.
Silas Malafaia, um dos principais defensores da família Bolsonaro, manifestou apoio à decisão do senador de deixar o país. Em declarações recentes, o pastor afirmou que a medida foi acertada para evitar o que ele descreveu como uma prisão sem o devido processo legal. Malafaia, que teve seu próprio passaporte liberado por decisão de Edson Fachin e Paulo Gonet, aproveitou o momento para intensificar críticas ao ministro Alexandre de Moraes, a quem acusou de atuar como agente político.
Em uma abordagem diferente, o bispo Robson Rodovalho, da igreja Sara Nossa Terra, recorreu a uma analogia religiosa para justificar o exílio do senador. Rodovalho declarou que a busca por proteção diante de perseguições seria um comportamento natural, chegando a comparar a situação de Flávio Bolsonaro aos ensinamentos de Jesus Cristo sobre como lidar com adversidades. O bispo classificou a restrição imposta pelo Supremo como uma ação desnecessária.
Por outro lado, o pastor Cláudio Duarte buscou se afastar da polarização política. Em um vídeo divulgado nesta quarta-feira, Duarte evitou comentar a fuga e defendeu que o resultado das urnas deve ser respeitado, pregando que o país precisa seguir em frente. O religioso afirmou que o triunfo de Lula não altera sua rotina e que deseja o crescimento do Brasil, distanciando-se das teses de perseguição que dominam o discurso de outros líderes bolsonaristas.
A Polícia Federal havia solicitado a retenção do passaporte de Flávio Bolsonaro logo após o Tribunal Superior Eleitoral confirmar o resultado do pleito, citando vínculos financeiros sob investigação e o histórico de movimentações da família Bolsonaro. O senador seguiu o mesmo caminho de seu pai, que também se mudou para os Estados Unidos após a derrota em 2022.
Em resumo: - Flávio Bolsonaro fugiu para os Estados Unidos após o TSE confirmar a vitória de Lula e o STF ordenar a apreensão de seu passaporte. - Silas Malafaia endossou a fuga como proteção, enquanto Robson Rodovalho comparou o senador a Jesus Cristo. - Cláudio Duarte optou por se distanciar da polêmica e pediu o fim do embate eleitoral.
Fonte: Folha de S.Paulo

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