Política · Justiça

A fuga de Flávio Bolsonaro e o isolamento do bolsonarismo

Após derrota eleitoral, Flávio Bolsonaro deixa o Brasil contrariando determinação judicial, enquanto Lula consolida articulação com o Congresso.

Foto: presidente do Senado, Davi Alcolumbre, ao lado do presidente Lula e do presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta. Foto: Reprodução · Original e licença

A decisão de Flávio Bolsonaro de deixar o Brasil rumo aos Estados Unidos, nesta quarta-feira (28), marca um novo capítulo de desgaste para o bolsonarismo. O senador, que havia sido intimado a entregar seus passaportes e estava sob proibição de deixar o território nacional, optou pelo exílio voluntário, abandonando o campo de batalha político que prometera liderar após o pleito.

O movimento é visto como um revés estratégico que, na prática, fortalece a posição de Lula e do Supremo Tribunal Federal (STF). Enquanto o governo federal avança na articulação com o Legislativo — evidenciada pelo encontro de Lula com os presidentes da Câmara, Hugo Motta, e do Senado, Davi Alcolumbre, no Palácio da Alvorada —, a oposição perde força ao tentar comandar o debate político à distância.

A tentativa de questionar o resultado das urnas, baseada em críticas à prorrogação do horário de votação, carece de sustentação factual. Dados do TSE indicam que apenas 34.393 votos foram registrados após as 17h, um número ínfimo diante da vantagem de milhões de votos que garantiu a vitória de Lula com 64.256.232 sufrágios. Além disso, a medida de extensão do horário foi solicitada por ambas as campanhas, tornando o discurso de fraude um argumento de conveniência política.

No cenário internacional, a aposta de Flávio Bolsonaro em uma proteção do governo Trump enfrenta obstáculos. O deputado democrata Joaquin Castro e membros da Comissão de Relações Exteriores da Câmara americana já questionaram a iniciativa. O cenário é agravado pela fragilidade política de Trump, que, segundo pesquisa NPR/PBS News/Marist de 27 de outubro, enfrenta desaprovação de 59% dos eleitores prováveis, complicando a aposta do senador brasileiro em um aliado sob pressão interna.

Em resumo

  • Flávio Bolsonaro viajou aos EUA descumprindo ordem judicial de entrega de passaportes.
  • Lula consolidou diálogo com as lideranças do Congresso, Hugo Motta e Davi Alcolumbre.
  • Argumentos bolsonaristas sobre fraude eleitoral são desmentidos pela baixa votação após as 17h.
  • A estratégia de Flávio enfrenta resistência de parlamentares democratas nos Estados Unidos.

Fonte: Diário do Centro do Mundo

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