Sindicatos acusam Estadão de burlar decisão do STF com demissões em série
Entidades sindicais denunciam que o jornal estaria realizando cortes de pessoal de forma fracionada para evitar a obrigatoriedade de negociação coletiva.

Foto: Foto: Sérgio Neves/Estadão · Original e licença
O Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo (SJSP) e a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) denunciaram, nesta quarta-feira (28), uma série de desligamentos no jornal O Estado de S. Paulo. Segundo as entidades, quase dez profissionais foram demitidos, em um movimento que estaria sendo realizado a conta-gotas para contornar a obrigatoriedade de negociação prévia com o sindicato.
As organizações sindicais sustentam que a estratégia da empresa visa descaracterizar uma demissão em massa, desrespeitando o entendimento fixado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no julgamento do Tema 638. A decisão da Corte estabeleceu que a participação sindical é um requisito indispensável para dispensas coletivas, garantindo que o diálogo ocorra antes da efetivação dos cortes.
De acordo com o SJSP, os desligamentos teriam começado ainda no período que antecedeu o segundo turno das eleições, momento de alta carga de trabalho na redação. Profissionais com décadas de casa foram surpreendidos pela decisão. Em justificativa apresentada aos trabalhadores, a empresa alegou a necessidade de reestruturação interna, redução da operação e dificuldades financeiras.
Diante do cenário de apreensão, o sindicato enviou um ofício à direção do jornal solicitando uma reunião urgente para discutir a reversão das demissões e a preservação dos postos de trabalho. As entidades reforçaram que estão prestando assistência jurídica aos jornalistas desligados e orientaram a categoria a denunciar eventuais novos cortes ou episódios de assédio.
Em resumo
- SJSP e Fenaj acusam o Estadão de realizar demissões em massa fracionadas para burlar decisão do STF.
- O STF exige participação sindical prévia em casos de dispensas coletivas.
- O jornal justifica os cortes citando reestruturação e dificuldades financeiras.
- Sindicatos pedem reunião urgente para reverter as demissões e impedir novos desligamentos.
Fonte: Diário do Centro do Mundo

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