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Em manobra golpista, Flávio Bolsonaro se autoproclama 'presidente' e ecoa táticas venezuelanas

O senador Flávio Bolsonaro divulgou carta contestando o resultado das eleições de 2026, em movimento que especialistas comparam à autoproclamação de líderes da oposição na Venezuela.

Foto: O senador Flávio Bolsonaro ao desembarcar nos Estados Unidos fugindo do Brasil - Ricardo Arduengo - 28.out.2026/AFP · Original e licença

Em uma tentativa de questionar a legitimidade do processo eleitoral brasileiro, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) divulgou uma carta nesta quarta-feira (28) na qual se autoproclamou o "verdadeiro presidente eleito". O movimento, que remete diretamente às estratégias de figuras como Juan Guaidó na Venezuela, foi posteriormente alterado em redes sociais, onde o parlamentar passou a se intitular "o líder do Brasil".

O senador, que é investigado pelo Supremo Tribunal Federal por suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo apostas, alegou uma suposta "impossibilidade matemática" no pleito que reelegeu o presidente Lula (PT). A narrativa ignora o reconhecimento internacional da lisura do processo brasileiro, validado por mais de 100 países e por observadores como a OEA. Até mesmo o presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, indicado ao STF por Jair Bolsonaro, atestou a regularidade da votação.

A comparação com o cenário venezuelano é rejeitada por analistas e organismos internacionais. Enquanto o V-Dem, principal instituto de avaliação democrática global, classifica o Brasil como uma democracia eleitoral em recuperação, a Venezuela é tratada como autocracia. O contexto venezuelano, marcado por prisões políticas e perseguição, difere drasticamente da realidade brasileira, onde o PL, partido de Flávio, conquistou a maior bancada na Câmara dos Deputados em um pleito competitivo.

A postura do senador mantém a linha de defesa de seu pai, Jair Bolsonaro, condenado por liderar a tentativa de golpe de 2022. Durante a campanha, Flávio buscou inverter papéis, acusando o Judiciário de atuar contra a democracia, enquanto prometia indulto ao ex-presidente. Ao final, a estratégia revelou que o próprio candidato do PL era quem não aceitaria o veredito das urnas.

Em resumo

  • Flávio Bolsonaro autoproclamou-se "presidente eleito" e "líder do Brasil" em carta divulgada nesta quarta-feira.
  • O pleito de 2026 foi validado pelo TSE e por observadores internacionais, sendo reconhecido como legítimo por mais de 100 países.
  • A retórica do senador é comparada à de opositores venezuelanos, embora o Brasil mantenha instituições democráticas funcionais, ao contrário da autocracia na Venezuela.

Fonte: Folha de S.Paulo

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