Política

A engrenagem digital que deu ritmo à campanha de Lula contra o bolsonarismo

Estudo da Ipse Global revela como a estratégia de descentralização e agilidade do grupo de apoio a Lula superou a mobilização centralizada da Tropa de Flávio Bolsonaro nas redes sociais.

Foto: Gráfico mostra a ampliação das atividades a pator do ‘Exército do Lula’ nos dias próximos às eleições | Crédito: Ipse Global · Original e licença

A disputa pelo engajamento digital no segundo turno das eleições revelou uma diferença abismal na capacidade de resposta entre os campos políticos. Dados coletados pela Ipse Global entre 18 e 24 de outubro mostram que o grupo articulado pelo deputado André Janones, conhecido como Exército de Lula, operou com uma velocidade e capilaridade muito superiores à Tropa do Flávio, liderada pelo deputado Nikolas Ferreira em apoio ao senador Flávio Bolsonaro.

Enquanto o grupo bolsonarista concentrava a produção de conteúdo na figura de Nikolas Ferreira, que acumulou 212 publicações, a estratégia de Janones apostou na formação de uma base ativa. Com apenas 23 publicações próprias, o parlamentar mineiro utilizou tutoriais para ensinar seguidores a produzirem cortes e materiais de campanha. O resultado foi que 2,3 mil perfis distintos impulsionaram as missões, gerando um volume massivo de interações que superou a lógica de marketing tradicional do adversário.

A disparidade numérica também foi determinante. O grupo de apoio a Lula encerrou o período com 10,5 milhões de integrantes, um contingente cinco vezes maior que os 2 milhões reunidos pela Tropa do Flávio. Essa diferença de escala refletiu diretamente no tempo de reação: a média do grupo pró-Lula foi de 3,4 minutos, enquanto o campo bolsonarista levava, em média, 13 horas e 17 minutos para responder às pautas propostas.

O diretor-executivo da Ipse Global, Leonardo Magalhães, observou que a Tropa do Flávio adotou um modelo mais centralizado e marqueteiro, enquanto o Exército de Lula funcionou como uma rede de militância capacitada. Além da técnica, o conteúdo também divergiu: o grupo de Janones focou em divulgar feitos do governo e rebater críticas, enquanto o lado bolsonarista insistiu em temas de violência e ataques ao PT.

A reta final da campanha evidenciou o descompasso. Enquanto o grupo de apoio a Flávio Bolsonaro perdeu fôlego, reduzindo o volume de mensagens, a militância pró-Lula intensificou a produção, atingindo picos de atividade durante os debates televisivos. A mudança de comportamento emocional também foi notada, com o campo de Lula assumindo um tom de maior indignação, enquanto o bolsonarismo viu seu índice de interações raivosas cair drasticamente.

Em resumo: - O Exército de Lula reuniu 10,5 milhões de pessoas, superando em cinco vezes o tamanho do grupo bolsonarista. - A estratégia de descentralização de Janones permitiu uma velocidade de reação média de 3,4 minutos, contra mais de 13 horas do grupo de Flávio Bolsonaro. - O engajamento pró-Lula manteve crescimento constante até o fim da eleição, enquanto a Tropa do Flávio perdeu tração na última semana.

Fonte: ICL Notícias

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