Mercado pressiona por ajuste fiscal para garantir queda de juros no governo Lula
Economista-chefe do BTG Pactual, Mansueto Almeida, alerta que continuidade da redução da Selic depende de controle de gastos públicos no novo mandato.

Foto: Mansueto Almeida Crédito: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil · Original e licença
O economista-chefe do BTG Pactual, Mansueto Almeida, sinalizou que a trajetória da taxa básica de juros, a Selic, no início do novo mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em 2027, está diretamente atrelada à condução da política fiscal. Segundo o economista, caso o governo não apresente um plano concreto para conter o avanço das despesas públicas, o Banco Central pode encerrar o ciclo de cortes ainda em 2026, mantendo os juros em patamares elevados.
Em evento realizado em São Paulo, conforme reportado pelo jornal O Globo, o ex-secretário do Tesouro Nacional destacou que a definição da equipe econômica e a sinalização de compromisso com o equilíbrio das contas são cruciais para reduzir a volatilidade do mercado após a vitória de Lula sobre o senador Flávio Bolsonaro no pleito presidencial.
Para Almeida, a manutenção de juros altos prejudica o investimento privado e a atividade econômica. O economista defende que, para permitir a queda da Selic sem pressionar a inflação, o governo precisa enfrentar o crescimento das despesas obrigatórias, promover uma reforma administrativa com limites salariais no setor público e revisar incentivos tributários que geram ineficiências.
Embora o mercado tenha reagido com cautela ao resultado das urnas, Almeida ponderou que a instabilidade atual também reflete pressões externas, como a alta do petróleo. O economista projeta que a economia brasileira iniciará 2027 em um ritmo de desaceleração, tendência observada desde o segundo trimestre de 2026, independentemente das medidas fiscais adotadas.
Em resumo
- A continuidade da queda da Selic depende de medidas de controle de gastos públicos.
- O economista defende reformas estruturais, incluindo revisão de despesas obrigatórias e reforma administrativa.
- A economia brasileira já apresenta sinais de desaceleração desde meados de 2026.
- A definição da equipe econômica de Lula é aguardada pelo mercado nos próximos 30 dias.
Fonte: Brasil 247

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