A escalada perigosa: O plano de Washington e Tel Aviv para uma nova ofensiva contra o Irã
Artigo de Jeffrey Sachs e Sybil Fares alerta para a iminência de novos ataques contra o Irã e defende uma mudança na postura dos países árabes para frear a hegemonia militar na região.

Foto: Ilustração mostra as bandeiras do Irã e dos EUA Crédito: REUTERS/Dado Ruvic/Foto ilustrativa · Original e licença
A guerra iniciada em 28 de fevereiro por Israel e pelos Estados Unidos contra o Irã atravessa um período de calmaria tensa, mas longe de um desfecho. Segundo análise do economista Jeffrey D. Sachs e da assessora Sybil Fares, o cenário atual é de preparação para uma nova rodada de combates, impulsionada por objetivos geopolíticos que os autores classificam como ilusórios: a busca de Israel pela supremacia militar absoluta e a tentativa dos EUA de preservar sua hegemonia global.
O artigo aponta que a liderança israelense, sob o comando de Benjamin Netanyahu, mantém uma doutrina de força que ignora alternativas diplomáticas, como a Iniciativa Árabe de Paz de 2002. Paralelamente, Washington mantém uma fixação histórica contra o Irã, que remonta à derrubada de Mohammad Mossadegh em 1953. A escalada recente incluiu o bombardeio de instalações nucleares iranianas em junho de 2025 e a morte do líder supremo do Irã durante os ataques de fevereiro deste ano.
Sinais de um novo conflito iminente são evidentes. O secretário de Guerra dos EUA, Pete Hegseth, esteve em Israel recentemente para discutir alvos petroquímicos e nucleares iranianos. Embora a Casa Branca tenha sinalizado que não atacará antes das eleições de 3 de novembro, o bloqueio naval aos portos iranianos já ultrapassa 100 dias. Em comício realizado em 21 de outubro, Netanyahu afirmou ter ordenado ao exército e ao Mossad a derrubada do regime iraniano.
Diante da ameaça, o Irã anunciou uma nova doutrina ofensiva, incluindo ataques preventivos e o alerta de uma crise energética global. Para Sachs e Fares, a única saída para evitar o agravamento da crise é uma articulação dos países árabes. Os autores sugerem que nações como Arábia Saudita, Catar e Emirados Árabes Unidos devem declarar que não permitirão o uso de seus territórios para ataques contra o Irã e condicionar a normalização com Israel à criação de um Estado palestino.
Em resumo
- A guerra entre EUA/Israel e Irã, iniciada em fevereiro, prepara-se para uma nova fase de ataques contra alvos estratégicos.
- A liderança de Israel, apoiada por Washington, busca a derrubada do regime iraniano e a manutenção da hegemonia militar na região.
- O Irã respondeu com uma nova doutrina de defesa que prevê ataques preventivos e ameaça a estabilidade energética global.
- Especialistas defendem que a mediação regional e a recusa dos países árabes em servir de base para a guerra são os únicos caminhos para a paz.
Fonte: Brasil 247

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