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Corrida proteica nos EUA: Carne bovina dispara e frango domina a mesa

Mudanças nos hábitos alimentares e uso de medicamentos para emagrecimento impulsionam demanda por proteínas nos EUA, pressionando preços e redefinindo o mercado.

Foto: Pedaços de carne Crédito: Andrew Kelly/Reuters · Original e licença

Uma verdadeira revolução proteica está em curso nos Estados Unidos, alterando profundamente os hábitos de consumo e pressionando os preços dos alimentos. Impulsionada por novas diretrizes nutricionais, pelo movimento 'Make America Healthy Again' e pela popularização de medicamentos da classe GLP-1 — que levam pacientes a buscar mais proteínas para preservar massa muscular durante o emagrecimento —, a demanda por esses produtos cresceu significativamente, mas de forma desigual entre os diferentes setores.

A carne bovina, embora siga como item de desejo, tornou-se um símbolo dessa inflação alimentar. Com o rebanho estadunidense no menor patamar em décadas, a oferta restrita não consegue acompanhar a procura, especialmente entre consumidores de maior renda. Nos últimos dois anos, o preço dos bifes acumulou uma alta de 16,6%. Segundo o economista Glynn Tonsor, da Universidade Estadual do Kansas, os consumidores de maior poder aquisitivo 'nunca tiveram tanta capacidade e disposição para pagar' por cortes de qualidade, o que mantém os preços em patamares elevados.

Enquanto a carne bovina sofre com a escassez, o frango consolidou sua liderança absoluta. Com um ciclo produtivo muito mais ágil — o abate ocorre em cerca de sete semanas, contra quase dois anos na pecuária bovina —, a avicultura consegue ajustar a oferta rapidamente. A previsão é que o consumo de frango chegue a 49 quilos por pessoa em 2026, quase o dobro da estimativa para a carne bovina, que deve atingir 27 quilos no mesmo período.

O cenário para outras proteínas é de estagnação ou dificuldades. A carne suína, apesar de mais barata, não registra crescimento de consumo há quatro décadas. Já o mercado de pescados, embora em expansão, sofre com a dependência de importações, que representam 80% do que é consumido no país. No setor de alternativas vegetais, a crise é evidente: a Beyond Meat, gigante do segmento, viu seu valor de mercado despencar de mais de US$ 13 bilhões para cerca de US$ 125 milhões, sinalizando que o interesse por proteínas não se traduz, automaticamente, em adesão a substitutos industrializados.

Em resumo

  • O consumo de carne bovina deve atingir 27 kg por pessoa em 2026, enquanto o de frango chegará a 49 kg.
  • O rebanho bovino dos EUA está no menor nível em décadas, elevando o preço dos bifes em 16,6% nos últimos dois anos.
  • O consumo de peru atingiu em 2025 o menor patamar desde 1986, pressionado por altas nos preços.
  • O setor de proteínas vegetais enfrenta forte retração financeira, com empresas como a Beyond Meat perdendo valor de mercado.

Fonte: Brasil 247

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