Ex-presidente do BC projeta juros acima de 10% até 2028 e alerta para risco fiscal
Gustavo Loyola avalia que a falta de controle nas contas públicas mantém o Brasil em uma trajetória econômica perigosa e dificulta a queda da Selic.

Foto: Ex-presidente do Banco Central do Brasil, Gustavo Loyola. Crédito: Marcos Oliveira/Agência Senado · Original e licença
O ex-presidente do Banco Central, Gustavo Loyola, traçou um cenário desafiador para a economia brasileira nos próximos anos. Em entrevista ao videocast Stock Pickers, repercutida pelo portal InfoMoney, o economista projetou que a taxa básica de juros, a Selic, deve permanecer na casa dos dois dígitos pelo menos até 2028. Segundo ele, a persistência de juros elevados é um reflexo direto da dificuldade em estabilizar a trajetória da dívida pública.
Para Loyola, a política monetária conduzida pelo Banco Central possui limitações severas quando não é acompanhada por um ajuste fiscal consistente. O economista argumenta que o país vive um círculo vicioso: os juros altos encarecem o serviço da dívida, o que eleva o endividamento, gera desconfiança no mercado e, consequentemente, pressiona ainda mais as taxas. Ele ressaltou que o BC não consegue segurar o tranco sozinho diante de uma situação fiscal considerada preocupante.
Embora tenha descartado uma crise econômica iminente, Loyola classificou a atual trajetória das contas públicas como perigosa. Ele prevê que a autoridade monetária sofrerá pressões crescentes para reduzir os juros, especialmente se a atividade econômica perder fôlego, mas advertiu que ceder a esses apelos sem uma base fiscal sólida pode agravar os problemas estruturais do país.
Em resumo
- A taxa Selic deve se manter acima de 10% até 2028 devido à instabilidade fiscal.
- O aumento da dívida pública cria um círculo vicioso que impede a queda sustentável dos juros.
- A política monetária, isolada, é insuficiente para controlar a inflação e estabilizar a economia.
- O Brasil não enfrenta uma crise imediata, mas segue em uma trajetória de longo prazo considerada perigosa.
Fonte: Brasil 247

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