Marcos Lisboa defende que ajuste fiscal não exige corte em programas sociais
Economista aponta que o Brasil precisa rever regras de gastos e melhorar a eficiência das políticas públicas para garantir sustentabilidade sem sacrificar a proteção social.

Foto: Marcos Lisboa Crédito: Divulgação · Original e licença
O economista Marcos Lisboa, ex-secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, defende que o Brasil não precisa escolher entre o equilíbrio das contas públicas e a manutenção de programas sociais. Em artigo recente, o especialista argumenta que o país vive um falso dilema e que o foco do ajuste fiscal deve recair sobre a revisão de mecanismos que geram o crescimento automático das despesas.
Segundo Lisboa, o orçamento brasileiro é pressionado por uma combinação de gastos obrigatórios e subsídios setoriais que carecem de avaliação de eficácia. O economista critica a rigidez das regras de vinculação e indexação, que fazem com que as obrigações do Estado cresçam automaticamente junto com a arrecadação, reduzindo o espaço para investimentos estratégicos. Ele ressalta que o país precisa superar a lógica de que "gasta muito e gasta mal".
O cenário econômico para 2027, ano de início do novo mandato de Lula, exige cautela, aponta o economista. Lisboa alerta para o endividamento elevado de empresas e os riscos de intervir na meta de inflação para forçar a queda da taxa Selic, citando experiências passadas que resultaram em menor crescimento e desemprego. Para ele, a sustentabilidade fiscal depende de uma liderança política capaz de enfrentar privilégios e distorções tributárias.
Em resumo
- O ajuste fiscal deve focar na revisão de subsídios e regras de gastos, não em cortes sociais.
- A ausência de avaliação rigorosa sobre a eficácia de programas públicos eleva despesas sem retorno efetivo.
- O economista alerta contra a manipulação da meta de inflação para reduzir juros artificialmente.
- A responsabilidade pelo equilíbrio das contas é apontada como uma tarefa central da Presidência da República.
Fonte: Brasil 247

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