Política · Economia

Debate sobre juros: proposta de Lara Resende para reduzir Selic a 7,5% agita bastidores do governo

O economista André Lara Resende defende uma mudança estrutural na política monetária para frear o custo da dívida pública, gerando reações distintas entre o governo e o mercado financeiro.

Foto: Lula, dólar e Ibovespa Crédito: Ricardo Stuckert / PR I Rick Wilking / Reuters I Amanda Perobelli / Reuters · Original e licença

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem observado com atenção as reflexões de André Lara Resende, um dos arquitetos do Plano Real, sobre a condução da economia brasileira. O economista sustenta que o grande gargalo das contas públicas não reside nos gastos correntes, mas no peso excessivo dos juros sobre a dívida, que hoje compromete uma fatia expressiva do PIB. A sugestão de reduzir a taxa Selic gradualmente até o patamar de 7,5% ao ano busca aliviar esse encargo financeiro que, segundo ele, torna a trajetória do endividamento insustentável.

Para viabilizar essa mudança, Lara Resende sugere a criação de um Conselho Fiscal e Monetário Nacional. O objetivo seria integrar as decisões de governo e do Banco Central em um horizonte de médio prazo, evitando que a política monetária atue de forma isolada. A deputada Gleisi Hoffmann, presidente do PT, elogiou publicamente a iniciativa, considerando-a um passo necessário para combater o que descreveu como uma pressão desmedida sobre a política fiscal do país.

Enquanto o debate ganha corpo, o mercado financeiro reagiu com cautela e receio. Analistas e gestores de grandes instituições financeiras argumentam que uma queda forçada dos juros, sem medidas que garantam a confiança na solvência do Estado, poderia desencadear uma fuga de capitais, desvalorização do real e um repique inflacionário. O economista Sérgio Vale, da MB Associados, relembrou episódios passados de intervenção na taxa de juros, alertando que o cenário atual exige cautela para não repetir erros que resultaram em instabilidade cambial.

Dentro do governo, a movimentação é vista como parte de um processo de escuta. Interlocutores próximos ao presidente Lula esclareceram que, embora o tema esteja no radar, não existe uma agenda oficial de reuniões para tratar especificamente da implementação dessas ideias. O governo segue avaliando diferentes correntes de pensamento econômico para definir os rumos do próximo mandato, equilibrando a necessidade de crescimento com a estabilidade das contas públicas.

Em resumo: - André Lara Resende propõe reduzir a Selic para 7,5% ao ano para conter o custo da dívida pública. - A ideia central é criar um Conselho Fiscal e Monetário para coordenar metas de longo prazo. - A proposta recebeu apoio de lideranças petistas, mas gerou críticas de analistas do mercado financeiro. - O governo avalia a viabilidade da medida em meio a pressões por estabilidade fiscal e controle da inflação.

Fonte: Brasil 247

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