Política · Economia

O peso dos juros: economista questiona política monetária e propõe mudança radical

André Lara Resende aponta que o custo da dívida pública é o verdadeiro entrave das contas nacionais e sugere reduzir a Selic para 7,5% ao ano.

Foto: André Lara Resende. Foto: Geraldo Magela/Agência Senado · Original e licença

O economista André Lara Resende trouxe ao debate público uma visão que desafia a ortodoxia financeira ao sugerir que o Banco Central inicie um movimento de queda na taxa Selic, buscando atingir o patamar de 7,5% ao ano dentro de um ciclo de doze meses. Para o especialista, a manutenção de juros elevados, justificada como medida de contenção inflacionária, tem se mostrado contraproducente ao agravar o endividamento do Estado brasileiro.

Ao analisar os números recentes, Lara Resende argumenta que o foco do ajuste fiscal deveria recair sobre o serviço da dívida, e não sobre os gastos primários. Ele destaca que, enquanto o déficit primário registrado em 2025 foi de 0,48% do PIB, o montante destinado ao pagamento de juros alcançou a marca de R$ 1,18 trilhão no período de doze meses encerrado em agosto, o que equivale a 8,9% do PIB. Na visão do economista, as contas públicas estariam praticamente equilibradas se não fosse pelo peso expressivo desses encargos financeiros.

Para estruturar uma nova governança econômica, o economista defende a criação de um Conselho Fiscal e Monetário Nacional. Esse órgão seria encarregado de definir metas de longo prazo, com vigência de quatro a cinco anos, visando maior previsibilidade. Embora reconheça que a flexibilização dos juros possa gerar um aumento temporário na inflação, ele sustenta que a redução do custo da dívida, fortemente indexada à Selic, compensaria os riscos e estabilizaria a economia a médio prazo, distanciando-se das preocupações habituais do mercado financeiro sobre câmbio e credibilidade.

Em resumo: - André Lara Resende defende a redução da Selic para 7,5% ao ano em doze meses. - O economista argumenta que os juros da dívida, que somaram 8,9% do PIB até agosto, são o principal problema fiscal. - A proposta sugere a criação de um Conselho Fiscal e Monetário Nacional para metas de longo prazo.

Fonte: Diário do Centro do Mundo

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