Economia

Ricardo Cappelli desafia o mercado financeiro ao apoiar corte na taxa Selic

O ex-secretário Ricardo Cappelli defendeu a tese do economista André Lara Resende, que propõe a redução dos juros para aliviar a dívida pública e controlar a inflação, contrariando a ortodoxia econômica.

Foto: Ricardo Cappelli Crédito: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil · Original e licença

O ex-secretário-executivo do Ministério da Justiça, Ricardo Cappelli, manifestou apoio nesta segunda-feira (2) às ideias do economista André Lara Resende sobre a política monetária brasileira. Em suas redes sociais, Cappelli afirmou que o desconforto do mercado financeiro diante de propostas de juros menores é um sinal positivo para o país, incentivando o Banco Central a não ceder às pressões pela manutenção de taxas elevadas.

A estratégia defendida por Lara Resende sugere que a Selic seja reduzida para 7,5%. O economista argumenta que, ao contrário do que prega a visão econômica tradicional, o corte nos juros seria um mecanismo eficaz para conter a inflação e frear o crescimento da dívida pública. A lógica reside no fato de que grande parte do débito do governo está atrelada à Selic por meio das Letras Financeiras do Tesouro (LFTs).

Conforme a análise de Resende, quando o Banco Central eleva a taxa básica, o custo para remunerar esses títulos públicos dispara, pressionando o orçamento federal. Por outro lado, uma redução na Selic diminuiria rapidamente as despesas com a dívida. O economista sustenta que, com um débito menos oneroso, o risco fiscal percebido pelos investidores diminuiria, evitando a fuga de dólares e ajudando a estabilizar a moeda nacional.

Dados oficiais do Banco Central mostram que a dívida bruta do governo geral atingiu R$ 11,1 trilhões em setembro de 2026. Em junho, o custo médio anual da dívida estava em 12,68%, o que representava um gasto anual estimado em R$ 1,4 trilhão. Cappelli rebateu as críticas de que a proposta de Lara Resende significaria um tabelamento de juros, questionando por que o setor financeiro reage negativamente a qualquer debate sobre metas ou bandas para a taxa básica, mesmo sem sinalizações oficiais do governo nesse sentido.

Em resumo: - Ricardo Cappelli defendeu a redução da Selic proposta por André Lara Resende como medida benéfica ao país. - A estratégia visa reduzir o custo da dívida pública, que atingiu R$ 11,1 trilhões em setembro de 2026. - A tese contesta a visão de que juros baixos necessariamente elevam a inflação, focando no impacto fiscal das LFTs.

Fonte: Brasil 247

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