Política · Economia

Governo nega intervenção nos juros e reafirma autonomia da política econômica

Ministros descartam tabelamento de taxas e uso de reservas cambiais, enquanto o governo mantém cautela sobre a formação da nova equipe econômica.

Foto: O presidente Lula e o ministro da Fazenda, Dario Durigan, enfrentam o desafio de equilibrar as contas públicas e preservar os investimentos sociais em 2027 Crédito: Adriano Machado/Reuters · Original e licença

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva afastou, nesta segunda-feira (3), qualquer possibilidade de adotar medidas intervencionistas na economia. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, foi enfático ao declarar que a gestão não considera o tabelamento de juros nem a utilização das reservas cambiais para conter eventuais fugas de capital.

As declarações surgem em um momento de intenso debate sobre a política monetária para o próximo mandato, impulsionado pelas propostas do economista André Lara Resende. Durigan também esclareceu que não há, até o momento, nenhuma reunião agendada entre o presidente Lula e o economista, desmentindo especulações que circularam na imprensa e geraram ruídos no mercado financeiro.

O presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, corroborou a posição da Fazenda. Segundo ele, não existe qualquer iniciativa governamental para estabelecer controles administrativos sobre as taxas de juros. Mercadante ressaltou que a definição das prioridades e a montagem da equipe econômica caberão exclusivamente ao presidente Lula, que segue em agenda reservada após o pleito.

O debate econômico ganhou tração após Lara Resende sugerir a criação de um Conselho Fiscal e Monetário Nacional e a redução gradual da taxa Selic, hoje em 13,75% ao ano, para um patamar próximo a 7,5%. A proposta busca aliviar o custo da dívida pública e estimular o crescimento, embora dependa de reformas institucionais profundas.

Em contrapartida, a deputada federal Gleisi Hoffmann (PT-PR) saiu em defesa do debate proposto por Lara Resende. A parlamentar criticou a postura de setores do mercado financeiro diante da possibilidade de diálogo entre o governo e economistas com visões distintas da ortodoxia da Faria Lima, classificando a reação como autoritária.

Em resumo

  • Governo descarta tabelamento de juros e uso de reservas cambiais.
  • Não há reunião agendada entre Lula e o economista André Lara Resende.
  • Proposta de Lara Resende sugere redução gradual da Selic e criação de conselho fiscal.
  • Gleisi Hoffmann defende pluralidade no debate econômico e critica reações do mercado.

Fonte: Brasil 247

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