Racha no PL: ala bolsonarista desafia pragmatismo e quer candidatura própria na Câmara
Divisão interna no PL coloca em xeque a estratégia de apoio a Hugo Motta, com parlamentares temendo isolamento político ou desgaste com a base eleitoral.

Foto: O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta Crédito: Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados · Original e licença
A sucessão na presidência da Câmara dos Deputados provocou uma divisão profunda no PL. Enquanto uma ala pragmática defende a adesão ao bloco de Hugo Motta (Republicanos-PB) para garantir espaços de poder, um grupo de parlamentares, liderado por nomes como Nikolas Ferreira (PL-MG), exige o lançamento de uma candidatura própria como forma de afirmação política.
Segundo informações divulgadas pelo G1, o impasse foi debatido em reunião com o presidente nacional da sigla, Valdemar Costa Neto. O dilema é estratégico: integrar o bloco de Motta, que já conta com 15 partidos, asseguraria ao PL a preferência na escolha de comissões importantes. Caso contrário, a legenda corre o risco de ficar isolada, ocupando apenas a 16ª posição na fila de escolha dos colegiados, o que reduziria drasticamente sua influência legislativa.
A resistência à aliança com Motta é alimentada pelo desconforto de parte da bancada em compor o mesmo bloco que o PT, especialmente após o apoio público do atual presidente da Câmara à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Para os defensores da candidatura independente, como Nikolas Ferreira, a mensagem política aos eleitores deve prevalecer sobre a ocupação de cargos. O deputado sugeriu os nomes de Luiz Philippe de Orleans e Bragança (PL-SP) e Sóstenes Cavalcante (PL-RJ) para a disputa.
O cenário é agravado pela articulação do PT, que atua nos bastidores para impedir a entrada do PL no bloco majoritário, mesmo que a cúpula da legenda decida pelo apoio a Motta. O receio de um isolamento semelhante ao ocorrido no Senado em 2023, quando o PL perdeu espaço após a derrota de Rogério Marinho, divide a bancada. A decisão final sobre o posicionamento do partido deve ocorrer em reunião marcada para a próxima quarta-feira (11).
Em resumo
- O PL está dividido entre apoiar Hugo Motta para garantir comissões ou lançar candidatura própria por convicção ideológica.
- O PT trabalha para barrar a entrada do PL no bloco de apoio a Motta.
- A bancada do partido se reúne no dia 11 de novembro para definir o rumo da legenda na eleição da Câmara.
Fonte: Brasil 247

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