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Banco paraguaio em colapso patrocinou evento de Eduardo Bolsonaro em Mar-a-Lago

Instituição financeira sob intervenção no Paraguai, que detinha recursos públicos, foi patrocinadora Diamond de gala conservadora com presença do deputado brasileiro.

Foto: Eduardo Bolsonaro em evento conservador nos Estados Unidos - Eduardo Bolsonaro no CPAC, nos Estados Unidos, em foto de arquivo (Juan Mabromata/AFP) · Original e licença

O Ueno Bank, instituição financeira paraguaia que entrou em processo de intervenção após uma grave crise de solvência, foi um dos principais patrocinadores de um evento da direita internacional realizado em fevereiro de 2026, no clube Mar-a-Lago, de Donald Trump. A participação do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) no encontro, que contava com o banco como apoiador, foi denunciada pelo deputado Alencar Santana (PT-SP) na Comissão de Relações Exteriores da Câmara.

Registros da 'Hispanic Prosperity Gala', ocorrida em 10 de fevereiro, mostram o parlamentar brasileiro diante de um painel que exibia o logotipo do Ueno Bank na categoria 'Diamond'. Segundo a organização, essa cota de patrocínio era oferecida por 100 mil dólares. Durante a cerimônia, Eduardo Bolsonaro chegou a entregar um prêmio ao consultor argentino Fernando Cerimedo, figura conhecida por disseminar desinformação sobre o sistema eleitoral brasileiro.

A crise do banco tornou-se pública em 3 de novembro, quando o Banco Central do Paraguai decretou intervenção após constatar que o índice de solvência da instituição estava abaixo de 50% do mínimo legal. O colapso deixou cerca de 3 milhões de clientes sem acesso a suas contas. O banco administrava vultosos recursos públicos, incluindo aproximadamente 380 milhões de dólares do Instituto de Previdência Social (IPS) do país vizinho.

O principal acionista da instituição é o Grupo Vázquez, conglomerado que manteve laços societários com o presidente paraguaio Santiago Peña até março de 2025. O caso gerou uma crise política no Paraguai, com pedidos de investigação e até manifestações favoráveis ao impeachment do mandatário. Embora o patrocínio confirme o apoio financeiro do banco ao evento, não há evidências de transferências diretas para campanhas ou aliados do deputado brasileiro.

Em resumo

  • O Ueno Bank, sob intervenção por insolvência, patrocinou evento com Eduardo Bolsonaro em fevereiro.
  • A instituição administrava bilhões em recursos públicos paraguaios, incluindo verbas previdenciárias.
  • O banco possui vínculos societários com o entorno do presidente Santiago Peña.
  • O deputado Alencar Santana levou o caso à Comissão de Relações Exteriores da Câmara.

Fonte: Revista Fórum

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