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Mudança no Congresso dos EUA coloca em xeque o fôlego financeiro de Javier Milei

O avanço democrata no Legislativo norte-americano ameaça a continuidade do suporte financeiro a Buenos Aires, elevando a desconfiança do mercado sobre a economia argentina.

Foto: Javier Milei Crédito: Reuters I Reprodução/IA · Original e licença

O resultado das eleições legislativas nos Estados Unidos alterou o equilíbrio de poder em Washington, criando um cenário de incerteza para a estratégia econômica da Argentina. A perda de controle dos republicanos sobre o Congresso coloca sob escrutínio o acordo de swap cambial de 20 bilhões de dólares estabelecido entre o Tesouro norte-americano e o Banco Central argentino em outubro de 2025.

Especialistas apontam que a nova configuração legislativa dá aos democratas ferramentas mais robustas para fiscalizar o uso do Fundo de Estabilização Cambial. A senadora Elizabeth Warren, figura central no Comitê Bancário do Senado, tem liderado críticas à manutenção desse mecanismo, argumentando que o suporte financeiro carece de justificativas técnicas sólidas e transparência perante o Legislativo.

O governo de Javier Milei, que baseou grande parte de sua política externa no alinhamento direto com Donald Trump, vê agora sua margem de manobra reduzida. O economista Ramiro Tosi observou que a derrota republicana retira graus de liberdade cruciais para o governo argentino, especialmente em um momento em que investidores questionam a viabilidade do plano econômico a longo prazo, com foco nas eleições de 2027.

A pressão política ocorre em um momento de fragilidade para as contas externas da Argentina. Enquanto o governo projeta vencimentos de dívidas que chegam a 30,1 bilhões de dólares para 2027, o volume de recursos garantidos para cobrir esses compromissos é significativamente menor, totalizando apenas 7,4 bilhões de dólares. Esse descompasso, somado à instabilidade política, fez o risco-país disparar para 827 pontos-base.

O cientista político Mauricio Vázquez avaliou que a aposta diplomática de Milei em líderes como Trump demonstra fragilidade diante de um Congresso que tende a ser mais hostil. Para o analista, a estrutura de poder em Washington agora impõe barreiras que podem restringir futuras operações de socorro financeiro, forçando o governo argentino a buscar alternativas ou enfrentar uma crise de liquidez mais severa.

Em resumo: - O avanço democrata no Congresso dos EUA aumenta a fiscalização sobre o acordo de swap cambial de 20 bilhões de dólares com a Argentina. - O risco-país argentino atingiu 827 pontos-base, refletindo a crescente desconfiança dos investidores. - A Argentina enfrenta um déficit de financiamento superior a 22 bilhões de dólares para honrar os compromissos previstos para 2027.

Fonte: Brasil 247

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