Base de Flávio Bolsonaro pressiona por retorno ao Senado e descarta briga judicial
Pesquisa qualitativa aponta que eleitores do senador querem encerrar o ciclo eleitoral e criticam o recebimento de salário enquanto ele está no exterior.

Foto: O candidato derrotado à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) fala com a imprensa após a divulgação do resultado - Agustin Marcarian/Reuters · Original e licença
A estratégia de manter o discurso de contestação sobre o resultado das urnas parece ter perdido fôlego entre os próprios apoiadores de Flávio Bolsonaro. Levantamentos qualitativos realizados pela cientista política Esther Solano indicam que a base eleitoral do senador do PL prefere encerrar o capítulo da derrota e focar nos próximos quatro anos, em vez de insistir em batalhas jurídicas que consideram infrutíferas.
Durante os grupos focais, a pesquisadora observou que expressões como vida que segue e bola pra frente se tornaram recorrentes. Mesmo entre os setores mais radicalizados, a autoproclamação de Flávio como presidente após sua ida aos Estados Unidos foi recebida com descrédito, sendo classificada por muitos como uma postura ridícula.
O distanciamento das teses de fraude ocorreu, em parte, após os eleitores receberem esclarecimentos técnicos sobre o processo eleitoral. Ao tomarem conhecimento de que o próprio PL também solicitou a prorrogação do horário de votação e que os votos computados após o fechamento das urnas foram irrelevantes para o resultado final, muitos apoiadores passaram a questionar as narrativas de irregularidades.
A permanência do senador em solo americano também gerou um desgaste prático. Existe uma cobrança crescente para que ele retorne ao Brasil e exerça suas funções parlamentares. Segundo Solano, os entrevistados manifestaram forte descontentamento com o fato de Flávio continuar recebendo remuneração pública sem comparecer ao Senado, defendendo que ele precisa dar as caras e trabalhar se deseja manter o salário.
Embora parte do eleitorado ainda veja as ordens do ministro Alexandre de Moraes, do STF, como uma forma de perseguição, há um reconhecimento pragmático de que o senador possui pendências judiciais em casos como o Master e o INSS, o que, na visão desses eleitores, ajuda a justificar sua saída do país.
Em resumo: - Eleitores de Flávio Bolsonaro rejeitam a continuidade de contestações judiciais sobre o resultado das eleições. - A base eleitoral critica o recebimento de salário parlamentar enquanto o senador permanece no exterior. - Esclarecimentos sobre o processo eleitoral enfraqueceram teorias de fraude entre os apoiadores.
Fonte: Folha de S.Paulo

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