Suspeitas de fraude em mansão de aliado de Flávio Bolsonaro levam SPU a acionar PF
A Secretaria do Patrimônio da União aponta irregularidades na transferência de imóvel em Angra dos Reis, pivô de disputa entre Richarlison e Willer Tomaz, agora sob bloqueio do STF.

Foto: - Jogador Richarlison e advogado Willer Tomaz. Foto: PEDRO MARTINS / AGIF / AGIF VIA AFP e Edilson Rodrigues/Agência Senado · Original e licença
A Secretaria do Patrimônio da União (SPU) detectou falhas graves e uma velocidade incomum na tramitação de documentos que permitiram a transferência de uma mansão de luxo em Angra dos Reis, no Rio de Janeiro. O imóvel, avaliado em 10 milhões de reais, é o centro de um embate judicial entre o jogador de futebol Richarlison e o advogado Willer Tomaz, figura próxima ao senador Flávio Bolsonaro.
Conforme o levantamento do órgão, a Certidão de Autorização para Transferência foi liberada em menos de duas horas após o pedido, feito em julho de 2022. A SPU destacou que o processo foi conduzido manualmente sob a alegação de instabilidade no sistema, mas sem a devida comprovação documental de uma decisão judicial que deveria fundamentar o ato. Diante da falta de transparência, o órgão enviou os dados para a Controladoria-Geral da União e para a Polícia Federal, além de solicitar ao Ibama uma vistoria por possíveis danos ambientais na ilha.
O cerco contra Willer Tomaz se fechou em 23 de outubro, quando o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, ordenou o congelamento de 6 bilhões de reais em patrimônio do advogado. A medida cautelar, que alcança a mansão em Angra, aviões e embarcações, faz parte de um inquérito da Polícia Federal que apura esquemas de lavagem de dinheiro ligados ao setor de apostas esportivas. Com a decisão, o imóvel foi registrado como indisponível, impedindo qualquer negociação.
A investigação ganhou força após uma representação do deputado federal Rogério Correia (PT-MG), que questionou os trâmites administrativos da época. O caso expõe movimentações atípicas em órgãos federais durante o governo anterior e segue sob análise das autoridades competentes para verificar a integridade dos procedimentos.
Em resumo: - A SPU identificou irregularidades e celeridade suspeita na transferência de uma mansão em 2022. - O imóvel está bloqueado pelo STF como parte de uma investigação de 6 bilhões de reais contra Willer Tomaz. - O caso foi encaminhado à PF, CGU e Ibama para apurar crimes financeiros e ambientais.
Fonte: Revista Fórum

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