Mercado financeiro usa fim da escala 6x1 para justificar juros altos até 2027
Bancos e gestoras de investimentos apontam o fim da jornada 6x1 como risco inflacionário e defendem manutenção de juros elevados, ignorando o impacto no crescimento econômico.

O mercado financeiro encontrou um novo argumento para pressionar pela manutenção de juros elevados no Brasil. Em relatório divulgado nesta quarta-feira (4), a Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (ANBIMA) incluiu o fim da escala de trabalho 6x1 como um dos fatores de risco para a inflação, justificando a projeção de que a taxa Selic permaneça em 12,5% até o final de 2027.
O documento, elaborado pelo Grupo Consultivo Macroeconômico da entidade — que reúne gigantes como Itaú BBA, Bradesco, BTG Pactual e XP —, associa a mudança trabalhista a uma suposta pressão inflacionária, embora não apresente qualquer cálculo técnico que sustente essa tese. Além da jornada de trabalho, o grupo citou o preço do petróleo e a reforma tributária como justificativas para a cautela na política monetária.
A postura do setor financeiro ocorre em um cenário de pessimismo projetado pela própria entidade, que reduziu a estimativa de crescimento do PIB para 2027 de 1,34% para 1%, enquanto elevou a previsão de inflação para 4,9%. Segundo Fernando Honorato, economista-chefe do Bradesco e coordenador do grupo, o balanço de riscos piorou, exigindo uma postura mais rígida do Banco Central.
A insistência em juros altos ganha contornos de conflito de interesses quando observada a exposição dos bancos à dívida pública. Conforme dados do Tesouro Nacional, instituições financeiras e fundos de investimento detêm cerca de R$ 3,37 trilhões em títulos públicos atrelados à Selic. Com a taxa básica em patamares elevados, o custo de financiamento da dívida pelo governo dispara, beneficiando diretamente o lucro dessas mesmas instituições que influenciam as projeções macroeconômicas.
Em resumo
- A ANBIMA incluiu o fim da escala 6x1 como risco inflacionário sem apresentar cálculos de impacto.
- O mercado financeiro projeta Selic em 12,5% para o final de 2027 e reduziu a expectativa de crescimento do PIB para 1%.
- Bancos e fundos detêm R$ 3,37 trilhões em títulos da dívida pública, lucrando com a manutenção de juros altos.
Fonte: ICL Notícias

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