Crise bancária derruba Santiago Peña e expõe conivência política no Paraguai
O presidente do Paraguai, Santiago Peña, renunciou ao cargo em meio a um escândalo financeiro envolvendo o banco Ueno e denúncias de favorecimento político.

O Paraguai vive um momento de profunda instabilidade política após a renúncia do presidente Santiago Peña, formalizada nesta quinta-feira (5). O mandatário, que enfrentava um processo de impeachment na Câmara dos Deputados, deixou o cargo pressionado pelo colapso do banco digital Ueno, que bloqueou o acesso de mais de 3 milhões de clientes às suas contas. Com a saída de Peña, o vice-presidente Pedro Alliana assume o comando do país.
A crise ganha contornos de escândalo devido à ligação direta entre o ex-presidente e a instituição financeira. Segundo informações apuradas, Peña foi acionista do Grupo Vázquez — conglomerado que controla a holding do Ueno — até março de 2025, período em que já exercia a presidência. O banco é acusado de captar quase meio bilhão de dólares de fundos públicos, incluindo recursos da Previdência Social, após mudanças legislativas que teriam facilitado sua operação.
Em entrevista exclusiva ao ICL Notícias, o ex-senador e oposicionista Efraín Alegre afirmou que o episódio reflete uma estrutura de poder corrompida. Para Alegre, a ascensão do Ueno e a crise atual só foram possíveis devido à cumplicidade de agentes políticos e do Banco Central paraguaio. O opositor traçou paralelos com o caso do Banco Master, no Brasil, classificando ambos como exemplos de uso do poder público para favorecer interesses privados.
Enquanto o governo tenta conter os danos com o uso de 228 milhões de Guaranis de Fundos de Garantia para amparar pequenos correntistas, a oposição articula uma estratégia de unidade para as eleições de 2028. O objetivo é encerrar a hegemonia do Partido Colorado, que governa o país quase ininterruptamente desde 1947 e é apontado por críticos como um braço da extrema direita na região.
Em resumo
- Santiago Peña renunciou à presidência do Paraguai em meio a um processo de impeachment.
- O banco digital Ueno, ligado ao ex-presidente, causou prejuízos a mais de 3 milhões de clientes.
- A oposição denuncia que a crise bancária foi viabilizada por conivência política e alterações legislativas.
- O vice-presidente Pedro Alliana assume o poder, mantendo o controle do Partido Colorado.
Fonte: ICL Notícias

O que você acha desta notícia?
Seja o primeiro a compartilhar sua opinião.