Crise no Paraguai expõe fragilidade de bancos digitais e riscos para os mais pobres
Especialistas alertam que a falta de regulação em bancos digitais, como visto no caso do Ueno no Paraguai, coloca em risco as economias das populações mais vulneráveis.

Foto: Policiais fazem a segurança em frente a uma agência do Ueno Bank durante protesto em Assunção, no Paraguai – Foto: Daniel Duarte/AFP · Original e licença
Uma grave crise política e financeira abala o Paraguai, onde cerca de US$ 850 milhões em recursos públicos e fundos previdenciários ficaram inacessíveis para metade da população. O colapso está ligado a fraudes envolvendo o banco digital Ueno, instituição que teve o presidente Santiago Peña como acionista do grupo controlador até março de 2025. O mandatário, que agora enfrenta um processo de impeachment, chegou a tentar renunciar ao cargo diante da pressão popular.
O cenário paraguaio acende um alerta sobre a expansão desregulada de bancos digitais na América Latina, incluindo casos no Brasil como o Banco Master e o Will Bank. Segundo a economista Marilane Teixeira, pesquisadora do Cesit/Unicamp, essas instituições atraem clientes de baixa renda com promessas de facilidades e taxas reduzidas, mas operam em um ambiente de fiscalização insuficiente.
Em entrevista ao programa Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, Teixeira ressaltou que a ausência de lastro para rendimentos oferecidos e a facilidade excessiva na abertura de contas criam um terreno fértil para prejuízos aos correntistas mais vulneráveis. Para a especialista, é urgente que o Congresso brasileiro e o Banco Central intensifiquem o controle sobre essas operações.
Em resumo
- Fraudes no banco digital Ueno deixaram US$ 850 milhões bloqueados no Paraguai.
- Presidente Santiago Peña, ex-acionista do grupo controlador, enfrenta processo de impeachment.
- Especialistas apontam que a falta de regulação em bancos digitais coloca em risco as economias de populações mais pobres.
- Há um chamado para que o Banco Central e o Legislativo ampliem a fiscalização sobre o setor financeiro digital.
Fonte: Diário do Centro do Mundo

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