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O colapso do Ueno Bank e a rede de influenciadores que vendia o Paraguai como refúgio

A intervenção no banco paraguaio expõe uma estratégia de marketing que unia influenciadores brasileiros, figuras políticas locais e a promessa de um paraíso fiscal para investidores.

Foto: Clientes protestam em Assunção após a quebra do Ueno Bank, banco que patrocinou eventos promovidos por influenciadores brasileiros - Clientes do Ueno Bank protestam em Assunção após a intervenção do Banco Central do Paraguai, em 3 de novembro (Daniel Duarte/AFP) · Original e licença

O sistema financeiro paraguaio sofreu um abalo significativo no início de novembro de 2026, quando o Banco Central do país determinou a intervenção no Ueno Bank. A medida foi tomada após a instituição, que detinha uma base de cerca de 3 milhões de clientes, apresentar uma queda acentuada em seu índice de solvência, situando-se muito abaixo dos patamares mínimos exigidos pelas autoridades reguladoras.

O episódio trouxe à tona uma intensa movimentação de produtores de conteúdo e influenciadores brasileiros que, nos meses anteriores, vinham promovendo o Paraguai como um destino ideal para a transferência de patrimônio e empresas. Entre os materiais divulgados, destacou-se o documentário da Brasil Paralelo, lançado pouco antes da crise, que apresentava o país como uma alternativa econômica ao Brasil. O material incluiu uma entrevista com o deputado Raúl Latorre, presidente da Câmara paraguaia e membro do Partido Colorado, que aproveitou a oportunidade para exaltar a segurança jurídica e o modelo econômico conservador vigente no país vizinho.

A estratégia de atração de brasileiros não se limitou a produções audiovisuais. Uma investigação realizada pelo veículo paraguaio El Surti revelou a existência de uma rede articulada de perfis nas redes sociais, como o Conexão Política e a consultoria Imigra Paraguai, que vinculavam a migração de capitais a pautas políticas alinhadas ao bolsonarismo. Esses canais frequentemente destacavam a flexibilidade trabalhista e os incentivos fiscais paraguaios como vantagens competitivas frente ao cenário brasileiro.

Embora não existam provas de pagamentos diretos do Ueno Bank a esses influenciadores brasileiros, a instituição mantinha uma estrutura de marketing agressiva. A agência 23 Sports, contratada pelo banco, confirmou em seu portfólio que o uso de influenciadores digitais era parte integrante de sua estratégia de comunicação. Além disso, o banco buscou visibilidade em eventos da direita internacional, como a Hispanic Prosperity Gala, realizada nos Estados Unidos, que contou com a presença de figuras como Eduardo Bolsonaro.

Em resumo: - O Banco Central do Paraguai interveio no Ueno Bank em 3 de novembro devido à grave deterioração de sua saúde financeira. - Uma rede de influenciadores brasileiros promovia o Paraguai como um paraíso fiscal e conservador para atrair investimentos. - O presidente da Câmara paraguaia, Raúl Latorre, endossou o modelo econômico do país em documentário produzido pela Brasil Paralelo. - A agência de publicidade do banco confirmou o uso de influenciadores em suas campanhas, enquanto a instituição patrocinava eventos políticos internacionais.

Fonte: Revista Fórum

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