Economista alerta: Lula não deve ceder à pressão do mercado por austeridade
Paulo Nogueira Batista Júnior defende que o governo Lula evite o estelionato eleitoral e adote uma política econômica focada no desenvolvimento e na taxação dos super-ricos.

Foto: Crédito: ABR | Brasil247 · Original e licença
Em meio às intensas movimentações do setor financeiro após a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva, o economista Paulo Nogueira Batista Júnior, ex-diretor do FMI e ex-vice-presidente do Banco dos BRICS, alertou para os riscos de o governo ceder a uma agenda de austeridade. Em entrevista ao programa Brasil Agora, da TV 247, o especialista afirmou que o presidente não deve repetir erros de gestões passadas.
Segundo Nogueira, o chamado estelionato eleitoral — quando um governo adota medidas contrárias ao que foi prometido nas urnas — seria um caminho para o enfraquecimento político. O economista argumenta que um ajuste fiscal regressivo, que penalize a população mais pobre, seria um desastre para a economia, especialmente em um cenário de juros reais elevados que já sufocam o crescimento e o investimento produtivo.
Para o especialista, o foco do ajuste deve ser a taxação dos super-ricos e a reativação de mecanismos de fiscalização da Receita Federal contra o planejamento tributário abusivo. Ele também criticou o peso dos juros da dívida pública, que, em sua visão, concentram renda e beneficiam o setor rentista em detrimento do desenvolvimento nacional.
Sobre a política monetária, Nogueira defende que a taxa Selic poderia ser reduzida para um patamar entre 9% e 10%, desde que acompanhada de uma gestão cambial ativa. Ele ainda sugeriu que Lula evite delegar a condução econômica exclusivamente à Fazenda, propondo a criação de uma assessoria econômica direta no Palácio do Planalto para garantir o confronto de teses e evitar o isolamento do presidente.
Em resumo
- Paulo Nogueira Batista Júnior alerta contra a adoção de uma agenda de austeridade que ignore o programa vitorioso nas urnas.
- O economista defende a taxação de grandes fortunas e a redução da taxa Selic para estimular a economia.
- É sugerida a criação de uma assessoria econômica direta no Planalto para ampliar o debate sobre as políticas do governo.
Fonte: Brasil 247

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