Impeachment no Paraguai: Santiago Peña recorre a tática bolsonarista para ganhar tempo
Pressionado pelo colapso do Ueno Bank e um processo de impeachment, o presidente paraguaio Santiago Peña pede adiamento de 72 horas para sua defesa.

Foto: Santiago Peña, presidente do Paraguai, gesticula em frente ao palácio; Santiago Peña enfrenta impeachment após quebra do Ueno Bank - Santiago Peña, presidente do Paraguai, em foto de arquivo (Federico Parra/AFP) · Original e licença
O presidente do Paraguai, Santiago Peña, solicitou formalmente ao Senado um prazo adicional de 72 horas para preparar sua defesa no processo de impeachment que enfrenta. O pedido, protocolado nesta sexta-feira (6), ocorre em meio à crise deflagrada pelo colapso do Ueno Bank, instituição que detinha vultosos recursos públicos e de aposentadorias no país.
Em carta enviada ao presidente do Congresso, Basilio Núñez, Peña argumentou que o tempo concedido para a notificação oficial foi insuficiente. O mandatário afirmou que recebeu a acusação, composta por 15 páginas e cerca de 300 anexos, poucas horas antes da sessão de julgamento. Segundo o presidente, um prazo inferior a 12 horas fere os padrões de um Estado de Direito.
A situação de Peña é delicada. Embora tenha anunciado sua renúncia na quinta-feira, o ato não foi concretizado, pois parlamentares do seu próprio partido, o Colorado, esvaziaram a sessão para evitar a votação. Com isso, ele permanece no cargo enquanto o processo de impeachment avança. A Câmara dos Deputados já aprovou a denúncia por unanimidade, com 78 votos, citando mau desempenho de funções e conflito de interesses.
O escândalo envolve o Ueno Bank, que teve suas operações suspensas pelo Banco Central paraguaio em 3 de novembro por falta de solvência. A instituição guardava cerca de US$ 850 milhões de órgãos públicos, incluindo verbas do Instituto de Previsión Social. O Ministério Público do Paraguai já imputou 27 pessoas ligadas ao banco por irregularidades como empréstimos sem garantias e falhas documentais. O banco também ganhou notoriedade por patrocinar eventos da extrema-direita internacional, contando com a presença de figuras como Eduardo Bolsonaro.
Em resumo
- Santiago Peña solicitou 72 horas para preparar sua defesa no processo de impeachment.
- O pedido ocorre após o colapso do Ueno Bank, que retinha US$ 850 milhões em recursos públicos.
- O Ministério Público paraguaio investiga 27 pessoas por irregularidades financeiras na instituição.
- A renúncia de Peña não foi aceita pelo Congresso, mantendo o presidente sob julgamento político.
Fonte: Revista Fórum

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