Política · Justiça · Mundo

Crise no Paraguai: Senado ignora renúncia e mantém julgamento político de Santiago Peña

O Congresso paraguaio não votou a renúncia do presidente Santiago Peña por falta de quórum, dando continuidade ao processo de impeachment após escândalo bancário.

Foto: O ex-presidente do Paraguai, Santiago Peña. Foto: Cesar Olmedo/Reuters · Original e licença

O cenário político no Paraguai vive momentos de extrema tensão. Nesta quinta-feira (5), o Senado deu início ao julgamento político do presidente Santiago Peña, ignorando o pedido de renúncia que o mandatário havia protocolado horas antes. A tentativa de encerrar o mandato de forma antecipada fracassou no Congresso, que não conseguiu concluir a votação sobre a saída do presidente devido à falta de quórum, provocada pela retirada de parlamentares governistas do plenário.

Com o impasse, o processo de impeachment segue seu curso legal. Na primeira etapa do julgamento, deputados apresentaram as acusações e o conjunto probatório contra o chefe do Executivo. A defesa de Peña está agendada para esta sexta-feira (6), às 10h, e o próprio presidente já confirmou que comparecerá para apresentar seus argumentos. Para que a destituição seja efetivada, é necessário o apoio de pelo menos 30 dos 45 senadores. Caso seja condenado, o vice-presidente Pedro Alliana assumirá o comando do país.

A resistência da oposição em aceitar a renúncia de Peña tem um motivo estratégico: a Constituição paraguaia garante aos ex-presidentes o cargo de senador vitalício, benefício que é automaticamente revogado caso o mandatário seja condenado em um julgamento político. A crise foi deflagrada após o Banco Central do Paraguai iniciar, na última terça-feira (3), o processo de resolução do Ueno Bank, instituição que concentrava cerca de US$ 850 milhões em depósitos públicos. Opositores acusam o presidente de conflito de interesses, apontando que ele foi acionista de uma holding ligada ao banco até março de 2025.

Em resumo

  • O Senado paraguaio iniciou o julgamento político de Santiago Peña após a Câmara dos Deputados aprovar a acusação por 78 votos.
  • A votação sobre a renúncia de Peña foi interrompida por falta de quórum, mantendo o presidente no cargo e sob julgamento.
  • A oposição busca a condenação para impedir que o presidente receba o título de senador vitalício.
  • O processo de impeachment foi motivado por denúncias de conflito de interesses envolvendo o presidente e o Ueno Bank.

Fonte: Diário do Centro do Mundo

COMECE A CONVERSA

O que você acha desta notícia?

Seja o primeiro a compartilhar sua opinião.

Comentários

Próxima notíciaGoverno recorre contra liminar que permitiu retorno de bets ao mercado