O debate sobre os juros: Por que a proposta de Lara Resende é considerada arriscada
O economista José Luis Oreiro detalha sua proposta de reforma monetária e explica por que reduzir a Selic na marra pode ser um erro estratégico para o Brasil.

Foto: Oreiro x Lara Resende Crédito: Brasil 247 · Original e licença
Em recente entrevista à TV 247, o economista José Luis Oreiro, professor da UnB, aprofundou o debate sobre os rumos da política econômica brasileira. O foco central da discussão foi a viabilidade de reduzir a taxa Selic para 7,5% ao ano em 12 meses, proposta defendida por André Lara Resende, e a alternativa de reforma monetária estrutural defendida por Oreiro.
Para o economista, o principal entrave para a política monetária no Brasil é a existência das Letras Financeiras do Tesouro (LFTs), que, segundo ele, obstruem o efeito da Selic sobre a economia. Oreiro propõe a extinção desses títulos e uma desindexação ampla, que incluiria aluguéis e tarifas públicas, além do fim da Política de Paridade de Importação (PPI) nos combustíveis.
Ao analisar a proposta de Lara Resende, Oreiro a classificou como voluntarista. Segundo o professor, tentar forçar a queda dos juros sem antes realizar reformas estruturais e controlar fluxos de capitais especulativos poderia desencadear uma fuga de divisas, dado que o Brasil mantém uma conta de capitais aberta e o Real está sujeito à hierarquia internacional de moedas.
Sobre o ajuste fiscal, o economista defende que o foco não deve ser o corte de gastos sociais, mas sim a revisão de isenções fiscais e o aumento da alíquota mínima de Imposto de Renda para as faixas de altíssima renda. Oreiro argumenta que o desequilíbrio fiscal brasileiro é, essencialmente, financeiro, causado pelo peso dos juros na dívida pública.
Em resumo
- Oreiro propõe extinguir as LFTs e eliminar indexadores baseados na inflação passada para dar eficácia à política monetária.
- O economista alerta que reduzir a Selic sem controle de capitais pode gerar crise cambial e fuga de investimentos.
- A proposta de ajuste fiscal foca no corte de 1,5% do PIB em gastos tributários e na taxação progressiva de super-ricos.
- O autor defende que a comunicação direta do governo com a população é essencial para explicar a necessidade dessas reformas estruturais.
Fonte: Brasil 247

O que você acha desta notícia?
Seja o primeiro a compartilhar sua opinião.