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Paraguai em crise: Santiago Peña é destituído pelo Senado e preso por escândalo bancário

Após sofrer impeachment unânime, o ex-presidente Santiago Peña foi detido em Assunção sob suspeita de envolvimento em irregularidades no Ueno Bank.

Foto: Santiago Peña. ex presidente do Paraguai. Foto: Paolo Blocco/Getty Images · Original e licença

O Paraguai vive um dia histórico e de profunda instabilidade política. Nesta sexta-feira (6), o agora ex-presidente Santiago Peña foi destituído do cargo pelo Senado e, poucas horas depois, teve sua prisão decretada pelo Ministério Público. A medida ocorre em meio ao colapso do Ueno Bank, instituição financeira que enfrenta graves problemas de solvência e está no centro de um escândalo de corrupção que abalou o país.

A destituição de Peña foi selada por uma votação unânime dos 44 senadores presentes, que acataram a denúncia de mau desempenho de suas funções. A oposição articulou o impeachment para impedir que o ex-mandatário renunciasse e, com isso, garantisse uma cadeira vitalícia no Senado com imunidade parlamentar. Com a queda, o vice-presidente Pedro Alliana, também do Partido Colorado, assumiu o comando do Executivo e deverá completar o mandato até agosto de 2028.

A ordem de prisão contra Peña, que inicialmente cumpre custódia domiciliar, faz parte de uma investigação criminal paralela ao julgamento político. O Ministério Público apura crimes de lesão de confiança e administração indevida de patrimônio. A investigação também atingiu Carlos Carvallo, ex-presidente do Banco Central do Paraguai (BCP), e o empresário Miguel Vázquez, fundador do Ueno Bank, já detido anteriormente.

O escândalo explodiu após o Banco Central identificar que o Ueno Bank operava com solvência muito abaixo do exigido, afetando cerca de 2,9 milhões de clientes. Segundo a Associated Press, parlamentares acusam Peña de favorecer o banco com depósitos estatais e recursos previdenciários que superavam os limites legais. A proximidade do ex-presidente com o grupo empresarial proprietário da instituição é um dos pontos centrais das apurações.

A crise gerou protestos intensos nas ruas de Assunção, com milhares de cidadãos exigindo a devolução de suas economias. O governo brasileiro monitora de perto os desdobramentos, dada a importância estratégica do Paraguai nas relações regionais e na gestão compartilhada da hidrelétrica de Itaipu.

Em resumo

  • Santiago Peña foi destituído pelo Senado e preso por ordem judicial após escândalo no Ueno Bank.
  • O vice-presidente Pedro Alliana assumiu a presidência para completar o mandato até 2028.
  • Investigações apuram favorecimento estatal ao banco e má gestão de recursos públicos.
  • O colapso da instituição financeira atingiu milhões de correntistas e provocou protestos populares no país.

Fonte: Diário do Centro do Mundo

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