Crise bancária no Paraguai frustra planos de bolsonaristas que buscavam refúgio
Intervenção no Ueno Bank expõe riscos financeiros e esfria onda de brasileiros que tentavam migrar após a vitória de Lula.

Foto: - Ato contra Santiago Peña em Assunção, no Paraguai (Anadolu via AFP) · Original e licença
A promessa de um refúgio ideológico e financeiro no Paraguai, vendida por influenciadores da extrema direita brasileira após a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva em 25 de outubro, sofreu um duro golpe de realidade. A suspensão das operações do Ueno Bank pelo Banco Central paraguaio, ocorrida em 3 de novembro, interrompeu o ímpeto de apoiadores do ex-presidente que buscavam transferir patrimônio e residência para o país vizinho.
A intervenção, motivada por fraudes envolvendo o Grupo Vázquez, controlador da instituição, gerou apreensão imediata. Segundo o vice-presidente financeiro da Câmara de Comércio Brasil-Paraguai, Jeancarlos Araldi, em declaração à Folha de S.Paulo, a notícia funcionou como um balde de água fria, levando muitos empresários a recuar de seus planos de investimento. A entidade, que vinha registrando uma procura recorde por consultoria jurídica e contábil, agora mobiliza equipes para auxiliar os afetados pela retenção de recursos.
O movimento migratório, que ganhou força nas redes sociais sob a narrativa de que o Paraguai seria um porto seguro contra o governo petista, ignora a complexidade institucional local. Embora o país seja governado pelo conservador Santiago Peña, o governo paraguaio mantém relações diplomáticas pragmáticas com o Brasil. Além disso, a Direção Nacional de Migrações do Paraguai aponta que brasileiros já representam mais de 70% dos pedidos de residência, um fluxo histórico que precede o atual cenário político.
A crise bancária revela que a ideia de um paraíso infalível é uma distorção da realidade. Com mais de 263 mil brasileiros já residentes no país, a busca por estabilidade econômica é um fenômeno antigo, mas a tentativa de politizar essa migração como um exílio ideológico colapsou diante da fragilidade financeira exposta pela fraude no Ueno Bank.
Em resumo
- O Banco Central do Paraguai suspendeu o Ueno Bank em 3 de novembro após detectar fraudes.
- A crise freou a corrida de brasileiros que buscavam refúgio político no país após a eleição de Lula.
- Especialistas alertam que a narrativa de um paraíso sem riscos não condiz com a realidade econômica local.
Fonte: Revista Fórum

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