Política · Economia

Mercado financeiro vê exagero em alta do dólar após reeleição de Lula

Grandes bancos internacionais avaliam que a desvalorização do real é temporária e apostam em correção cambial diante de fundamentos sólidos e freios institucionais.

Foto: Lula-dólar Crédito: REUTERS · Original e licença

A recente disparada do dólar frente ao real, que acumulou alta de 10,33% desde o último pregão antes do segundo turno, é vista por grandes instituições financeiras globais como uma reação exagerada do mercado. Analistas internacionais apontam que, apesar das incertezas naturais de um novo mandato, os fundamentos da economia brasileira e a configuração do Congresso Nacional devem atuar como garantias de estabilidade.

Desde a vitória do presidente Lula, a moeda norte-americana registrou seu maior ganho semanal desde 2008. Contudo, bancos como o Wells Fargo decidiram ampliar posições vendidas em dólar, apostando que a cotação deve retornar ao patamar de R$ 5,30. Segundo o estrategista Álvaro Vivanco, a reação imediata dos agentes financeiros foi desproporcional, ignorando fatores como o equilíbrio das contas externas e a valorização das commodities.

O Commerzbank, por sua vez, mantém sua projeção de R$ 5,20 para o fim do ano. O analista Michael Pfister ressalta que o mercado tende a passar por uma correção à medida que o resultado eleitoral for assimilado. A visão predominante entre os especialistas é de que o Legislativo, com perfil mais conservador, servirá como um contrapeso institucional, impedindo excessos fiscais e forçando uma condução econômica mais equilibrada.

Apesar da cautela, a Capital Economics revisou sua estimativa para R$ 5,50, citando a indefinição sobre a equipe econômica como um fator de atenção. Já o Société Générale optou por encerrar posições vendidas no curto prazo, mas mantém a porta aberta para retomar apostas no real, reforçando que não há expectativa de uma onda prolongada de depreciação da moeda brasileira.

Em resumo

  • O dólar subiu 10,33% desde o segundo turno, movimento classificado por analistas como exagerado.
  • Instituições como Wells Fargo e Commerzbank apostam em uma correção cambial e valorização do real.
  • O Congresso Nacional é visto como um freio institucional contra possíveis desequilíbrios fiscais.
  • A definição da equipe econômica é o principal ponto de atenção para a estabilização das expectativas.

Fonte: Brasil 247

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