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O fim do mito: crise no Paraguai desmorona narrativa de refúgio bolsonarista

A queda do presidente Santiago Peña e o colapso do Ueno Bank expõem a fragilidade da propaganda que vendia o Paraguai como um paraíso econômico para brasileiros.

Foto: O empresário Luciano Hang, o influenciador Thiago Nigro e o ex-governador de São Paulo João Doria. Foto: Reprodução · Original e licença

O Paraguai, amplamente promovido por figuras da direita e influenciadores bolsonaristas como um porto seguro contra o governo Lula, enfrenta uma instabilidade institucional e financeira que coloca em xeque a narrativa de 'paraíso' econômico. A promessa de um ambiente de negócios infalível e conservador foi abalada pela destituição do presidente Santiago Peña, ocorrida na última sexta-feira (6), e pelo colapso do Ueno Bank, que deixou milhões de correntistas sem acesso aos seus recursos.

A crise gerou um movimento de recuo entre os entusiastas da migração. Segundo apuração do BP Money, o ex-governador João Doria removeu de suas redes sociais um vídeo que promovia o Summit Paraguay-Brasil, evento que contaria com a presença de Peña e foi adiado pelo Lide para janeiro de 2027. Enquanto isso, a realidade no país vizinho, que possui cerca de 60% de informalidade no mercado de trabalho, impôs dificuldades concretas a brasileiros que acreditaram na propaganda de facilidades tributárias e ausência de riscos.

O cenário de incerteza atingiu figuras que fizeram do Paraguai uma bandeira política e comercial. O empresário Luciano Hang, que chegou a incentivar investimentos no país após se reunir com Peña em julho, manteve sua posição em nota oficial, minimizando os escândalos. Já o setor de consultorias, que lucra com a intermediação de mudanças e abertura de empresas, viu o discurso de 'Deus, pátria, família e liberdade' colidir com a fragilidade das instituições financeiras locais, onde o banco em resolução detinha cerca de US$ 850 milhões em recursos públicos.

A propaganda, que contava com o apoio de influenciadores como Thiago Nigro e perfis especializados em imigração, ignorava variáveis cruciais como a fiscalização bancária e a estabilidade democrática. Para muitos brasileiros que seguiram o conselho de migrar, a experiência tem sido marcada pela busca desesperada por acesso ao próprio dinheiro, revelando que a idealização do país vizinho omitia riscos institucionais graves.

Em resumo

  • O presidente Santiago Peña foi destituído pelo Senado paraguaio após o colapso do Ueno Bank.
  • O banco, que tinha Peña como ex-acionista, detinha US$ 850 milhões em recursos públicos e 2,9 milhões de clientes.
  • Eventos de promoção econômica, como o Summit do Lide, foram adiados diante da instabilidade política.
  • A crise expõe a fragilidade da narrativa que vendia o país como um refúgio sem riscos para brasileiros.

Fonte: Diário do Centro do Mundo

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