Política · Economia

O desafio fiscal de Lula 4: como equilibrar o desenvolvimento e a estabilidade

Análise sobre os caminhos econômicos para o quarto mandato de Lula, focando em ajuste fiscal, dívida pública e a necessidade de revisar subsídios financeiros.

Foto: O presidente Lula, em Brasília, durante reunião de instalação do conselho que vai tratar da exploração e industrialização de minerais críticos no Brasil - Pedro Ladeira - 5.nov.2026/Folhapress · Original e licença

O quarto mandato de Luiz Inácio Lula da Silva inicia-se com o desafio de conciliar a manutenção de sua base social com a necessidade de estabilizar a economia. O cenário pós-pandemia, marcado por juros elevados e inflação, impõe uma pressão sobre a popularidade de governos globalmente, e o Brasil não é exceção. Para garantir a sustentabilidade do projeto, o governo precisa enfrentar o crescimento da dívida pública, o que permitiria uma trajetória de queda nos juros.

Uma das vias apontadas para o ajuste fiscal passa pela revisão de benefícios concedidos ao setor financeiro. Segundo dados citados pelo colunista Celso Rocha de Barros, com base em análise de Bráulio Borges publicada na Folha em 30 de julho de 2026, a isenção tributária de ativos como LCAs, LCIs e debêntures incentivadas custou R$ 32 bilhões aos cofres públicos apenas no último ano. Além da perda de arrecadação, esses títulos subsidiados competem com os papéis da dívida pública, pressionando os custos de captação do governo.

O debate econômico também contempla a estrutura da dívida e a política monetária. A economista Monica de Bolle tem chamado a atenção para a alta proporção de títulos pós-fixados no Brasil, um tema técnico que ganha relevância na discussão sobre a sensibilidade da dívida à taxa Selic. Paralelamente, a proposta do economista André Lara Resende para alterar a fixação dos juros foi amplamente debatida na última semana, sendo considerada inviável em sua forma atual por especialistas, devido aos riscos de crise cambial e à necessidade de um ajuste fiscal rigoroso que a medida exigiria.

A expectativa para o novo ciclo é que os efeitos da reforma tributária aprovada no governo Lula 3 comecem a surtir resultados práticos. Com maior estabilidade política, o governo ganha margem para implementar ajustes necessários logo no início da gestão, focando em eficiência orçamentária sem comprometer promessas fundamentais, como o aumento real do salário mínimo.

Em resumo

  • O governo busca equilibrar a preservação de programas sociais com o controle da dívida pública.
  • A revisão de R$ 32 bilhões em isenções tributárias para ativos financeiros é apontada como prioridade fiscal.
  • Propostas de mudança na fixação de juros, como a de André Lara Resende, foram descartadas por riscos técnicos e cambiais.

Fonte: Folha de S.Paulo

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