Política · Justiça

STF respira com derrota de Flávio, mas mantém alerta máximo para sucessão no Senado

Ministros do Supremo avaliam que a reeleição de Lula traz alívio imediato, mas projetam que a pressão política sobre a Corte dependerá do comando do Senado em 2027.

Foto: O senador Davi Alcolumbre e o ministro Alexandre de Moraes, durante evento em Brasília em 2025 - Pedro Ladeira - 1.abr.25/Folhapress · Original e licença

A reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva e a derrota de Flávio Bolsonaro na corrida presidencial de 2026 trouxeram um alívio momentâneo aos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Nos bastidores, a avaliação é de que o resultado das urnas permitiu um respiro necessário após anos de ataques constantes da ala bolsonarista, que tinha o impeachment de magistrados como uma de suas principais bandeiras.

Apesar do otimismo com a manutenção do governo no campo progressista, a cúpula do Judiciário mantém cautela. Para os ministros, o cenário de tensão política apenas foi adiado, e o verdadeiro termômetro da relação entre os Poderes será a eleição para a presidência do Senado, marcada para fevereiro de 2027. É o ocupante desse cargo quem detém a prerrogativa de dar seguimento a pedidos de afastamento de integrantes da Corte.

A aposta do governo Lula é na recondução de Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) ao comando da Casa. Alcolumbre é visto como um aliado estratégico que historicamente barrou investidas contra o Supremo. Em contrapartida, a oposição bolsonarista, representada por nomes como Rogério Marinho (PL-RN) e Tereza Cristina (PP-MS), mantém a disputa aberta. Marinho, embora evite focar apenas no impeachment, afirmou que não se omitirá caso identifique crimes de responsabilidade.

Além da disputa legislativa, o tribunal segue sob vigilância devido a investigações em curso. O presidente do STF, Edson Fachin, solicitou à Polícia Federal que encaminhe todas as menções a ministros encontradas em materiais apreendidos, como no caso do Banco Master. A expectativa é que a Corte continue sendo o centro de arbitragem de conflitos entre o Planalto e um Congresso com forte presença da oposição.

Em resumo

  • A reeleição de Lula é vista pelo STF como um alívio contra a pressão bolsonarista.
  • A eleição para a presidência do Senado em fevereiro de 2027 definirá o futuro da pauta de impeachment contra ministros.
  • Davi Alcolumbre conta com apoio do governo para se manter no cargo, enquanto Rogério Marinho e Tereza Cristina lideram a oposição.
  • O STF aguarda relatórios da Polícia Federal sobre menções a magistrados em investigações como a do Banco Master.

Fonte: Folha de S.Paulo

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