Política

Campanha de Flávio Bolsonaro pagou R$ 600 mil a empresa suspeita de oferecer IA para manipulação eleitoral

Investigação do The Intercept revela que empresa contratada pela campanha do senador oferecia ferramentas de guerra psicológica e desinformação via inteligência artificial.

Foto: Flávio Bolsonaro Crédito: Carlos Moura/Agência Senado · Original e licença

A campanha presidencial do senador Flávio Bolsonaro (PL) destinou R$ 600 mil à Elytron, empresa de cibersegurança que, segundo documentos revelados nesta sexta-feira (16) pelo site The Intercept Brasil, ofereceu um sistema de inteligência artificial voltado para operações clandestinas de influência política. A ferramenta prometia recursos como a criação de perfis falsos, disseminação de desinformação e estratégias de guerra psicológica para atingir adversários.

Os registros da Justiça Eleitoral confirmam os pagamentos, descritos oficialmente como serviços de consultoria em tecnologia da informação, incluindo monitoramento de infraestrutura e testes de segurança. Somando os valores declarados pelo PL, o montante repassado à companhia chega a R$ 731,9 mil. Apesar da contratação, a reportagem ressalta que não há evidências de que a tecnologia tenha sido efetivamente utilizada nas eleições brasileiras de 2026.

O caso veio à tona após o relato de Vincent Edward Reed, ex-consultor da empresa, que afirmou ter rompido relações profissionais por considerar que o sistema apresentava riscos éticos graves. Segundo Reed, o termo "manipulação" foi utilizado durante as apresentações comerciais da ferramenta. A pesquisadora Beatriz Farrugia, especialista em desinformação, analisou o material e classificou o plano como "a definição de A a Z de operação de influência".

Em nota, a campanha de Flávio Bolsonaro negou qualquer irregularidade, afirmando que os contratos visavam apenas a proteção de seus sistemas contra ataques digitais e classificando a associação com manipulação como uma tentativa de viés político. A Elytron também refutou as acusações, declarando que atua exclusivamente com segurança defensiva e que repudia o uso de suas tecnologias para desinformação ou manipulação da opinião pública.

A investigação do Intercept aponta ainda conexões entre sócios da Elytron e figuras próximas ao influenciador Pablo Marçal, que se integrou à campanha de Flávio Bolsonaro em setembro. O grupo também teria mantido contatos com executivos ligados a negócios de tecnologia nos Emirados Árabes Unidos, embora os envolvidos neguem qualquer vínculo com as práticas de manipulação descritas nos documentos.

Fonte: Brasil 247

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