O risco do 'tesouraço': Como o ajuste fiscal de Flávio Bolsonaro pode atingir os mais pobres
Em artigo, o economista Paulo Nogueira Batista Jr. alerta para os impactos sociais de um eventual governo bolsonarista e convoca mobilização na reta final da eleição.

Foto: - Flávio Bolsonaro/Foto: SERGIO LIMA/AFP · Original e licença
Às vésperas do segundo turno da eleição presidencial de 2026, o economista Paulo Nogueira Batista Jr. publicou um artigo na Revista Fórum alertando para os riscos que um eventual governo de Flávio Bolsonaro representaria para a economia e a soberania nacional. Segundo o autor, o projeto econômico da extrema-direita aponta para um ajuste fiscal regressivo, que deve recair majoritariamente sobre a população de baixa renda e a classe média.
O texto aponta que, para atingir a meta de economia de R$ 200 bilhões nos primeiros meses de gestão, o candidato bolsonarista teria que recorrer a cortes profundos em áreas sensíveis. Entre as medidas temidas estão a desvinculação de pensões e aposentadorias do salário mínimo, o fim da política de valorização real do piso nacional e cortes severos em programas sociais, saúde e educação. Para o economista, a promessa de economizar apenas com a redução de ministérios e cortes de supersalários é insuficiente para o montante anunciado.
Além do impacto social, o autor alerta para o risco de recessão econômica. Ele argumenta que a combinação de um choque fiscal drástico com a atual política monetária restritiva pode elevar o desemprego e reduzir salários. Batista Jr. contesta a teoria da 'fada da confiança', defendida por setores do mercado, afirmando que a experiência empírica demonstra que o corte de gastos em um cenário de juros altos tende a contrair a demanda e aprofundar a crise.
Diante do cenário, o economista convoca os eleitores de Lula a intensificarem a mobilização na reta final da campanha. Ele sugere três frentes de atuação: a participação ativa em manifestações de rua, a ocupação das redes sociais para combater a hegemonia da extrema-direita e, principalmente, o diálogo direto com eleitores indecisos ou desavisados sobre as consequências das propostas de Flávio Bolsonaro.
Fonte: Revista Fórum

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