Plano de Flávio Bolsonaro omite garantias e abre brecha para cortes na Previdência
Programa de governo registrado no TSE evita compromissos com aposentados enquanto campanha se aproxima de empresários que defendem idade mínima de 67 anos.

O plano de governo de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), acendeu um alerta para trabalhadores e aposentados. O documento prevê uma "ampla revisão normativa" na área previdenciária, mas evita qualquer compromisso explícito com a manutenção das regras atuais de aposentadoria, critérios de reajuste ou a vinculação dos benefícios ao salário mínimo.
A omissão no texto oficial contrasta com a agenda de empresários que orbitam a campanha. Segundo apuração do ICL Notícias, Flávio recebeu o projeto "Brasil de Amanhã", que defende elevar a idade mínima de aposentadoria para 67 anos e desvincular o piso previdenciário do salário mínimo. A proposta, se implementada, representaria um retrocesso severo, forçando brasileiros a trabalharem por mais tempo e retirando a proteção constitucional que garante que nenhum benefício seja inferior ao piso nacional.
A influência desse grupo na campanha é direta. Dois diretores da Fundação Internacional para a Liberdade (FIL Brasil) — entidade que participou da elaboração do projeto empresarial e tem o ex-ministro Paulo Guedes como presidente de honra — integram a equipe econômica do candidato. Alexandre Ywata e Anne Caroline Marciquevik Alves foram incorporados ao time técnico entre julho e agosto, estreitando os laços entre a candidatura e as propostas de austeridade radical.
Além da Previdência, o programa de Flávio mantém um silêncio preocupante sobre o futuro do Bolsa Família e do Benefício de Prestação Continuada (BPC). Embora prometa "manter políticas sociais", o documento não detalha critérios de renda ou valores, deixando margem para que mudanças administrativas restrinjam o acesso de famílias de baixa renda, idosos e pessoas com deficiência aos auxílios essenciais.
Fonte: ICL Notícias

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