Delação aponta omissão de dono do Banco Master sobre financiamento de filme de Bolsonaro
Empresário afirma à PF que desconhecia destino de milhões enviados aos EUA para cinebiografia, mas investigadores apontam contradições em documentos.

Foto: Filme Dark Horse – Foto: Reprodução · Original e licença
O empresário Antônio Carlos Freixo Júnior, conhecido como Mineiro, afirmou em delação premiada à Polícia Federal que foi induzido ao erro pelo dono do Banco Master, Daniel Vorcaro. Segundo o depoimento prestado em 1º de outubro, Mineiro teria sido informado de que as remessas financeiras para os Estados Unidos seriam destinadas a empreendimentos imobiliários, omitindo-se que o montante financiaria o filme 'Dark Horse', sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro.
De acordo com o delator, a operação envolvia o envio de US$ 12,3 milhões para o fundo Havengate, administrado por Paulo Calixto, advogado ligado ao ex-deputado Eduardo Bolsonaro. Mineiro declarou que, ao descobrir o verdadeiro propósito dos recursos por meio da imprensa, tentou sem sucesso resgatar o investimento, alegando que não participaria da operação devido ao risco reputacional.
A Polícia Federal, contudo, aponta divergências entre a versão do empresário e os documentos apreendidos. Os investigadores destacam a existência de uma carta-acordo que menciona explicitamente a produção do filme, além de inconsistências nas fontes dos recursos declaradas pelo delator. Diante das contradições, o STF concedeu um prazo adicional de 90 dias para que a PF aprofunde as apurações sobre o caso.
Conforme revelado anteriormente pelo site The Intercept Brasil, o senador Flávio Bolsonaro teria negociado diretamente com Vorcaro o repasse dos valores. A previsão total da operação, segundo a PF, era de US$ 24 milhões. Até o momento, as assessorias dos envolvidos não se manifestaram sobre as novas revelações da investigação.
Fonte: ICL Notícias

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