Política · Justiça

Delação expõe contradições em repasses milionários para fundo ligado a Eduardo Bolsonaro

Empresário afirma à PF que desconhecia financiamento de filme sobre Jair Bolsonaro, mas documentos contradizem versão e levantam suspeitas de fraude.

Foto: Eduardo Bolsonaro e Antônio Carlos Freixo Júnior – Crédito: Brasil 247/IA/Dall-E / Antônio Carlos Freixo Júnior/Divulgação/Grupo Entre · Original e licença

Uma delação premiada firmada pelo empresário Antônio Carlos Freixo Júnior, proprietário da Entre Investimentos, colocou sob nova luz as investigações da Polícia Federal sobre o suposto financiamento do filme 'Dark Horse', cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro. Segundo informações reveladas pelo jornal O Estado de S. Paulo, o colaborador relatou à PF uma possível fraude em uma transferência de US$ 12,3 milhões — aproximadamente R$ 72 milhões — para o fundo Havengate, nos Estados Unidos, entidade ligada a Paulo Calixto, advogado do deputado federal cassado Eduardo Bolsonaro.

Freixo Júnior sustenta que realizou as operações a pedido de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, sob a premissa de que os valores seriam aplicados em empreendimentos imobiliários. O empresário declarou que jamais aceitaria participar de uma operação com viés cinematográfico devido ao risco reputacional. Ele alega ter descoberto a verdadeira finalidade do fundo apenas através da imprensa, momento em que teria tentado, sem sucesso, solicitar o resgate dos recursos.

A versão do delator, contudo, enfrenta obstáculos perante os investigadores. Em relatório enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF), a Polícia Federal apontou que existem documentos assinados pela Entre Investimentos que mencionam expressamente a destinação dos recursos ao filme. Para a corporação, o material está em aparente contradição com a afirmação do colaborador de que desconhecia a finalidade cinematográfica dos valores.

Diante do impasse, a PF solicitou ao ministro André Mendonça a prorrogação do inquérito por mais 90 dias. O objetivo é confrontar o depoimento de Freixo Júnior com registros bancários e contratuais, além de esclarecer a origem dos R$ 90 milhões que o empresário teria recebido no Brasil como compensação pelas remessas enviadas ao exterior. A investigação busca detalhar a participação dos irmãos Flávio e Eduardo Bolsonaro no esquema.

Fonte: Brasil 247

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