915 visitas - Fonte: O Globo
O governo Bolsonaro abriga pelo menos dois suspeitos de envolvimento em um escândalo de 2017 relativo ao pagamento adiantado de R$ 19,9 milhões a uma empresa sócia da Precisa Medicamentos, responsável pela negociação de R$ 1,6 bilhão em doses da vacina indiana Covaxin.
Em 2018, Davidson Tolentino e Tiago Queiroz viraram réus com outras três pessoas, entre elas o atual líder do governo na Câmara, Ricardo Barros (PP-PR), então ministro da Saúde, em uma ação movida pelo Ministério Público Federal (MPF) por improbidade administrativa. Mesmo respondendo ao processo, Tolentino e Queiroz ganharam cargos de destaque em redutos controlados pelo Centrão.
Entre 2018 e 2020, Tolentino ficou de fora da administração federal. Em julho do ano passado, após Bolsonaro selar aliança com o Centrão, foi nomeado para uma diretoria da Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf).
Já Queiroz foi nomeado, em maio de 2020, secretário nacional de Mobilidade do Ministério do Desenvolvimento Regional (MDR), comandado por Rogério Marinho. Tolentino ganha R$ 33 mil por mês; e Queiroz, R$ 16 mil.
O caso denunciado pelo MPF envolve a Global Gestão em Saúde, que, segundo a Receita Federal, é uma das sócias da Precisa, empresa responsável pela negociação da Covaxin com o governo federal. Em 2017, a Global fechou um contrato com o Ministério da Saúde para fornecer medicamentos para doenças raras. Segundo a denúncia do MPF, apesar de ter recebido R$ 19,9 milhões adiantados, a Global não forneceu os medicamentos conforme o contrato.
O escândalo de 2017 envolve a Diretoria de Logística (DLOG) do Ministério da Saúde, a mesma que, agora, quatro anos depois, chama a atenção da CPI da Covid, do MPF e do Tribunal de Contas da União (TCU) por conta das suspeitas de irregularidades no contrato para a compra da vacina indiana. Neste mês, o MPF disse que identificou indícios de crimes na compra da Covaxin e pediu que o caso passasse a ser investigado na esfera criminal.
Segundo a ação movida pelo MPF em 2018, na época em que o contrato com a Global foi firmado, Tolentino era o diretor da DLOG. No caso envolvendo a Global Saúde, as investigações do MPF apontam que ele teria pressionado um servidor de carreira do ministério para assinar pagamentos antecipados à Global.
Em nota, a Codevasf disse que as nomeações para as suas diretorias respeitam a legislação e que a “competência de nomeação e destituição de diretores pertence ao Conselho de Administração da empresa”. O MDR não se manifestou. A defesa de Queiroz disse que ele não iria se manifestar. O GLOBO tentou contato com Tolentino e sua defesa, mas as chamadas não foram atendidas. Barros nega ter havido irregularidades no contrato firmado em sua gestão na Saúde.
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