1042 visitas - Fonte: O Globo
BRASÍLIA - Representante da empresa Davati Medical Supply no Brasil, o empresário Cristiano Alberto Carvalho negou que o áudio do deputado Luis Claudio Miranda (DEM-DF), recebido por ele e divulgado na CPI da Covid por Luiz Paulo Dominguetti, tratasse da negociação de vacinas, como foi alegado. Segundo Carvalho, Dominguetti quer "aparecer".
— Eu recebi de outra pessoa, não diretamente do Luis, não se refere a vacinas — disse Carvalho ao GLOBO.
— Se refere a quê? — questionou a repórter.
— Acredito que sobre os negócios dele nos EUA. Não tem nada uma coisa com a outra. — respondeu Carvalho.
— Então não tem relação com a Davati? — insistiu a repórter.
— Nada — afirmou Carvalho.
— Por que ele disse isso na CPI, então? — perguntou o GLOBO.
— Quer aparecer — reagiu.
Na CPI, Dominguetti afirmou que Miranda tentou negociar aquisição de vacinas contra a Covid diretamente com a empresa Davati. Dominguetti descreveu telefonemas que teria recebido de pessoas do governo com ofertas de "facilidades" para os contratos de vacinas e que possuía informação de que "parlamentar tentou negociar a busca da vacina diretamente com a Davati.
Indagado pelo senador Humberto Costa (PT-PE) sobre qual seria o nome desse político. Dominguetti respondeu que era Luis Miranda e mostrou um áudio do deputado, que teria recebido de Cristiano.
Ao GLOBO, o deputado Luis Miranda (DEM-DF) nega ter qualquer conhecimento da existência da empresa Davati Medical Supply. Diz que nunca tratou sobre vacinas com Dominguetti ou com qualquer outra pessoa.
— É mentira, lógico que não. Eu nunca falei sobre vacinas. Não sei nem quem é (Dominguetti). Estou começando a achar que esse cara foi enviado por (Jair) Bolsonaro para fazer denúncias mentirosas.
Miranda disse ainda que tratou com uma empresa norte-americana sobre venda de luvas, mas que a conversa não tinha relação alguma com a Davati ou com vacinas.
O áudio mostra uma negociação, mas sem especificar que produto era. Depois de mostrar a gravação, em resposta a uma pergunta da senadora Eliziane Gama, ele mudou a versão e disse não saber se era mesmo vacina. Dominguetti se limitou a dizer apenas que havia indicativos de que, pelo "modus operandi" da transação, tratava-se e vacina.
— Eu não posso fazer juízo de valor. Quem pode dizer de que era a transação, de que produto era somente Cristiano — disse Dominguetti na CPI.
O depoente sugeriu também que o "comprador" mencionado por Luis Miranda no áudio era seu irmão, o servidor do Ministério da Saúde Luis Ricardo Miranda. Depois, porém, questionado também por Eliziane, negou saber quem era e disse que só Cristiano poderia responder.
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