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A Bolívia ingressou em sua terceira semana consecutiva de paralisias setoriais, marchas massivas e bloqueios rodoviários estruturados em um levante popular que contesta o pacote econômico e as reformas de austeridade fiscal promovidas pelo presidente Rodrigo Paz Pereira. A mobilização atinge diretamente ao menos seis departamentos estratégicos do país, incluindo La Paz, Oruro, Potosí, Chuquisaca, Cochabamba e Santa Cruz. Os manifestantes que unem povos indígenas, camponeses, operários, mineiros e professores sob a liderança da Central Operária Boliviana (COB) exigem a revogação imediata das medidas fiscais e a renúncia do chefe do Executivo, eleito em outubro do ano passado e empossado há cerca de seis meses.
O estopim para a revolta social ocorreu após a edição de decretos presidenciais e reformas orçamentárias de corte neoliberal, com destaque para o polêmico Decreto 5503, que declarou emergência nacional no fim de dois mil e vinte e cinco. A legislação determinou o fim de subsídios estatais históricos aos combustíveis, além de promover congelamento salarial, cortes nos gastos públicos e medidas de desregulamentação para a entrega de terras e recursos naturais ao capital transnacional. Os setores mobilizados argumentam que as iniciativas transferem os custos da grave crise financeira boliviana intensificada pela escassez de dólares e desabastecimento de energia para as parcelas economicamente mais vulneráveis da sociedade.
A reação do governo central ao bloqueio das estradas, que já isola as principais vias de transporte e gera o desabastecimento de alimentos nas áreas urbanas, tem sido marcada pelo endurecimento policial e pelo uso de gás lacrimogêneo. Balanços preliminares apontam mais de cento e cinquenta manifestantes detidos, dezenas de feridos e o registro de uma morte em decorrência dos confrontos, enquanto a Justiça emitiu mandados de prisão contra lideranças sindicais sob acusações de associação criminosa e terrorismo. Em meio à crise, o ex-presidente Evo Morales denunciou a existência de um plano internacional coordenado para criminalizar a oposição, enquanto o governo de centro-direita acusa o movimento popular de orquestrar uma tentativa de golpe de Estado para forçar a saída do mandatário.
Com informações do Brasil247
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