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A defesa do ex-presidente condenado por tentativa de golpe de Estado, Jair Bolsonaro, pretende alegar ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, que seu cliente desconhecia a exibição de um vídeo produzido por inteligência artificial na convenção do Partido Liberal. O evento oficializou a pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro à Presidência da República. O relator no STF deu o prazo de 48 horas para que os advogados prestem os devidos esclarecimentos sobre o episódio.
A peça com simulação de imagem e voz foi projetada no telão do evento partidário, trazendo declarações de cunho político-eleitoral e contestações sobre a situação judicial do golpista preso. Os advogados Paulo da Cunha Bueno e Celso Villardi devem argumentar que o ex-mandatário cumpria prisão domiciliar humanitária em Brasília e, por estar proibido de receber visitas de políticos ou de se encontrar com o próprio filho, não teria meios de saber com antecedência sobre a veiculação do material sintético.
No despacho proferido pela Suprema Corte, Alexandre de Moraes advertiu expressamente que uma eventual anuência do detido com a gravação configuraria uma nova e grave transgressão judicial. O magistrado frisou que a violação das regras impostas para o regime domiciliar pode resultar na revogação imediata do benefício humanitário e no consequente retorno de Jair Bolsonaro ao regime fechado no sistema prisional.
A restrição ao ex-presidente inclui a proibição rigorosa de emitir manifestações políticas por meios próprios, por carta ou por intermédio de terceiros. Flávio Bolsonaro, inclusive, já havia sido impedido de visitar o pai após ter lido publicamente uma carta aberta do genitor direcionada a eleitores, evidenciando o padrão de manobras para desrespeitar os limites fixados pela Justiça.
Além do descumprimento das ordens cautelares, o episódio esbarra nas vedações das regras eleitorais vigentes. A legislação eleitoral do país proíbe de forma taxativa o uso de tecnologias de simulação como deepfake para propaganda e palanque político, além de vetar a utilização de imagens sem a devida autorização legal.
Caso os advogados tentem eximir o ex-presidente de responsabilidade ao alegar desconhecimento do ato, o foco das apurações do STF e da Justiça Eleitoral recairá diretamente sobre a organização da convenção, atingindo de forma direta o senador Flávio Bolsonaro e a direção nacional do Partido Liberal por conta da infração cometida na convenção.
Assista ao vídeo:
??#vídeo ??? Vídeo de “Bolsonaro” feito com IA é exibido em convenção do PL
— Poder360 (@Poder360) July 25, 2026
?? Gravação usa imagem e voz simuladas do ex-presidente; ele cumpre prisão domiciliar por condenação após tentativa de golpe
??Assista ao vídeo: pic.twitter.com/gZP1J7BI2p