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A revelação das operações da Team Jorge, uma organização privada especializada em desinformação e espionagem, expôs o avanço de uma perigosa indústria clandestina capaz de interferir em eleições e manipular o debate público global, com forte presença na América Latina. Investigada por um consórcio internacional de jornalistas coordenado pela organização Forbidden Stories, a empresa formada por ex-integrantes das forças de segurança e do serviço de inteligência de Israel afirma ter operado em 33 campanhas eleitorais pelo mundo, obtendo êxito em 28 delas por meio de manipulação digital e operações psicológicas.
A engrenagem do grupo baseia-se no software Advanced Impact Media Solutions, plataforma desenvolvida para gerenciar cerca de 30 mil avatares digitais altamente sofisticados. Distinguindo-se dos robôs automatizados tradicionais, esses perfis utilizam recursos de inteligência artificial para simular o comportamento humano com extrema precisão. Atuando simultaneamente em redes como Facebook, Instagram, X, Telegram, Gmail, LinkedIn e YouTube, os avatares chegam a possuir contas verificadas na Amazon, carteiras de criptomoedas e perfis no Airbnb, construindo credibilidade para enganar usuários e direcionar discursos políticos.
Conforme analistas de cibersegurança, a evolução do mercado de desinformação substituiu a automação simples por perfis munidos de aprendizagem de máquina. Esses avatares digitais aprendem rotinas de interação, armazenam dados coletados e reproduzem narrativas alinhadas a diferentes espectros sociais sem despertar suspeitas, permanecendo ativos por longos períodos. Especialistas alertam que a tecnologia amplia drasticamente o alcance de ações de espionagem, roubo de dados confidenciais e campanhas de difamação coordenadas contra alvos estratégicos.
O modelo de atuação da Team Jorge é derivado do robusto setor privado de inteligência cibernética israelense, o mesmo que produziu o controverso spyware Pegasus, comercializado globalmente pela NSO Group. Enquanto o Pegasus se popularizou no monitoramento ilegal de jornalistas, ativistas e opositores políticos, a Team Jorge representa um desdobramento focado na destruição de reputações, disseminação de notícias falsas e alteração direta do cenário político institucional em benefício de quem pagar por seus serviços.
Na América Latina, a apuração jornalística identificou ações da organização em pelo menos quatro países. No México, os avatares trabalharam na blindagem da imagem de Tomás Zerón de Lucio, ex-chefe investigado pelo desaparecimento dos 43 estudantes de Ayotzinapa. Na Venezuela, o grupo atuou no pleito de 2012 espalhando mentiras contra o então presidente Hugo Chávez. No Equador, foi contratado pelos banqueiros William e Roberto Isaías Dassum para criar narrativas de vitimização política após o colapso do Filanbanco, registrando ainda ações na Catalunha, Califórnia e Trinidad e Tobago.
Gravado secretamente por repórteres infiltrados, o fundador da empresa, Tal Hanan, gabou-se de invadir contas do Gmail e Telegram de adversários políticos e plantar conteúdos em veículos de imprensa para depois inflá-los com a rede de robôs. A revelação reforça que a manipulação eleitoral se tornou um mercado privado milionário e sem compromisso ideológico, impondo às democracias globais o desafio de combater redes sintéticas que ameaçam a integridade das instituições.
Assista:
?????? In secretly recorded meetings, Israeli Jews, Hanan and associates claimed involvement in 33 presidential-level election campaigns worldwide, saying 27 were successful.
— Dan Bilzerian for Congress (@ElectBilzerian) July 28, 2026
They described offering services such as hacking email/messaging accounts, sabotage, and large-scale… pic.twitter.com/Ma0vQmsi6o