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O Departamento de Estado dos Estados Unidos veiculou um vídeo em que defende explicitamente o domínio do país sobre os países da América Latina, declarando que a hegemonia de Washington na região jamais voltará a ser contestada. A produção audiovisual resgata os preceitos da Doutrina Monroe e faz uma apologia direta a intervenções militares, invasões territoriais e ingerências políticas promovidas historicamente no continente como pilares legítimos de sua estratégia de influência regional.
A divulgação do material ocorre alinhada à política externa do presidente estadunidense Donald Trump, que colocou a América Latina como prioridade de sua gestão desde o ano passado. O objetivo central da ofensiva imperialista é barrar a expansão dos acordos econômicos, políticos e militares da China no continente, utilizando a pressão explícita para impor os interesses de Washington sobre as nações soberanas da região.
Na narrativa construída pelo órgão governamental, a Doutrina Monroe é redefinida para além do bloqueio às potências europeias, sendo apresentada diretamente como uma declaração de supremacia e primazia dos Estados Unidos na América Latina. O vídeo celebra as agressões cometidas em Cuba e Porto Rico no final do século XIX, classificando a dominação sobre o Caribe como o marco de entrada do país no cenário mundial na condição de potência imperialista, além de resgatar conceitos do ex-presidente Theodore Roosevelt sobre a tutela de países latino-americanos.
A peça publicitária cita abertamente episódios de violação de soberania, como o controle sobre o Canal do Panamá, as pressões durante a crise dos mísseis em Cuba e a invasão militar na Nicarágua, tratando tais agressões como exemplos de uma política de intervenção contínua. Em relação à Venezuela, a produção se refere à ação contra o presidente Nicolás Maduro como uma manobra calculada para desencorajar qualquer tentativa de contestação ao poderio estadunidense no hemisfério.
A locução do material é conduzida por Kevin Cabrera, embaixador dos Estados Unidos no Panamá, que reforça o entendimento de que a doutrina histórica se consolidou como uma estrutura voltada ao domínio regional das Américas. Ao longo de cinco minutos, a comunicação oficial expõe a visão arrogante da diplomacia de Washington, que enxerga o continente como um quintal de sua exclusividade territorial e militar.
A propaganda oficial evidencia o ressurgimento da face mais truculenta do imperialismo estadunidense contra a autonomia dos povos latino-americanos. Sob a justificativa de combater a presença comercial chinesa, o governo dos Estados Unidos reafirma práticas coloniais de ingerência para tentar coagir os governos locais a se submeterem às diretrizes de sua política externa.
Assista ao vídeo no X:
The Monroe Doctrine has shaped U.S. foreign policy for over two centuries. ????
— Department of State (@StateDept) August 11, 2026
American dominance in the Western Hemisphere will never be questioned again. pic.twitter.com/hsoGS17gqV